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TITITI

O camelinho branco sonha ser deserto e uma caravana desliza no lago de seu sono arenoso. Um sujeito lanho rosnando no buraco pensava o Egito como coisa sua. O camelinho branco, nem aí, vai sonhando areia num hábito aéreo, apesar do amarelo tempestuoso. Ti - ti - ti é o que não falta  entre os escaravelhos das pirâmides. ...E eu apenas um dos caras velhos... Escaras, velho, tenho de muito aqui ficar esperando a palavra vir com arado em notícia velha...

ATOR CHUVA CHOVENDO

O que nele é mil fracassos  Tem dom de redefinir-nos: O gesto no palco é idéia, Espelho a esclarecer-nos. De cabeça, o palco exige Nossa entrega inconsciente, Acendendo, devorando, Arrastando nuvens. O ator? Nuvem chovendo, Que, agindo, dessedenta A platéia que o alimenta.

SAUDADE DO AMIGO LÚCIO IALONGO

Lutar sem poupar esquivas, Lavar as palavras vivas, Fugir de idéias cativas, Refazer invectivas. Saudade do amigo "Shiva", De tantos projetos idos, De sua bondade herbívora. .....Amigos rendem Você pra sempre.

CHUVA SEM CABEÇA

Minha chuva em noite e amarelo, Ruas deitaram, arrastadas. A guerra entre poças queima-me, Gostaria de ter florestas, Mas acordei com pouco verde. Quem ceifou a alegria fui eu? Sim, num poema - me dizem. Gostaria de falar sobre gente.. Mas pessoas às vezes doem, Amarfanhadas, sem Debussy. Estou com pluriforme, Uniforme plural, Uma me-letra-lhador a, Baioneta (des)calada, Pronto para as uvas. Na massa de velha tarde, Sei que nascerá ou nasceu. Seu lenço aos meus pés, Azedam assim as uvas, Num pecado em que deito.

DEZESSETE

Minha filha quer: - Dezessete livros,  pai, pode me dar? - Por que não quer vinte? -Porque não, papai. - Serve um, ou dois? - Dezessete ou mais. Para o aniversário  devo arrumar. Dezessete anos ela já fará. E aos preços todos Devo coligir. -Pai, eu posso ser escritora um dia? Claro, minha filha. Se empregar tu'alma com sonho e porfia. Muito valem livros pra entender que os dias de mortos e vivos são indiferentes à nossa alegria e compreender que há luz no traço. Dezessete anos! Dezessete livros! O tempo passando e eu ficando antigo, parca biografia pra livro ou valia de espelho ambíguo. Mas estou feliz, embora ainda caia como um aprendiz. Devo lhe dar, sim, dezessete obras. Livro à alma afia, Com vulcão de sobra. Eu a amo, sabe?  Este amor me guia. Há no meu destino  cansaços sem trilhos. Nessa estrada há ferros, trens de acerto e erro. E também mentiras Que me juro aos berros. Dezessete livros, dezessete anseios... ...

UM CARA QUE REPETE

Um cara risca numa praça para um amigo uma peça teatral que repete desde menino: "Fora de si, despeja o Capim que Comeu". Breve o cara partirá a estátua. O cara tem a minha cara. Comete equívocos na esperança. É um homem. E um dia será deslembrado e lembrado Como um cara que amava tábuas Com paixão e foco em cima, E um cãozinho preto do lado Que sempre o amou, apesar da corrente Que lhe sangra o pescoço nos passeios.