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QUEM SOU EU PRA FALAR DO POETA CONTEMPORÂNEO

- Lá a igrejinha do poeta contemporâneo,  ágora de seus pares. - Bem os noto daqui deste solo de escarro e vidro. - Sempre existiu a obra contemporânea. - Com tempo a rã das obras. Então Zé-Que-És disse: -Vamos no Bar Sécu-Linfindo? -Estou mal - disse Léo. - É logo ali... -Ah, aqui. - Aqui parece o... Raspei num degrau. Ninguém viu. -A grande literatura é apenas um pote-linguagem significativo com bastante ser dentro. Jogando siverbuca, Ninguém falou: -Qual o sentido da dor no nada que embola nesta mesa verde? O signo deu um tapinha na bunda da garçonete Ahnos. Porém, perdeu os ovos. Entrou correndo um mulato saído de um romance de Azevedo. - Ei, calma! - E leu na face do mulato o ideograma chinês: desenho de um poema sísmico. Aos poucos todos foram saindo do....Sempre teve muito homem lá. Mas a garçonete Ahnos Sonha valia por todas as musas. Assim, suas frases recriavam em flutuação : -"Seu sorriso concorre com o arco-íris!". No outro lado do lápis, Alguém vomit...

ERGO SÃO ERGO SUM

Ergo meu dedo-falo aos que vendem sua tez e tesão Aos que tratam a Arte com desfaçatez e circo e pão Aos artistas que prejudicam outros artistas por vingança e ambição E que se julgam vítimas inobstante o louvor da mídia e a mesa de seu banquete, plena de frutos de plástico brilhantes Ao Poder Sem Rosto que nos dá aves corruptas a apodrecer nossos céus com cremes dentais Ergo meu dedo-falo aos que nos erguem sua violência com baba dourada Aos que trepam em nossa consciência sem remorso Ergo meu dedo-falo aos que prendem pássaros e censuram vôos Ergo meu dedo-falo aos que riem com máscara alheia Ergo meu dedo-falo aos que murmuram calúnias Ergo meu dedo-falo aos que sussurram sentenças com fel Ergo meu dedo-falo aos que tratam o amor com psicológica clitoridomia Ergo meu dedo-falo aos que surram cães como bebem água Ergo meu dedo-falo aos que vampirizam dignidades Ergo meu dedo-falo aos que se orgulham dos antolhos Ergo meu dedo-falo aos que se envaidecem do efêmero Erg...

STAR TERRA

Foi o começo da história. Depois, os tiros foram flores e o céu curvou-se, mostrando o peixe estelar. Um poema, olhos, peixes,  pássaro anão-branco, corpos em pequenos feixes cinzas, ao redor dela, a filha de Gaia, protagonista só no final, quando arrotou um terremoto...

VEJA...NÃO SE DESAPONTE

Não se desaponte comigo Por eu demorar o olhar. É que há um elo entre algo E os deuses que se vestiram De penas de anjos caídos Em rachas sujas. Ele sempre sonhou estar Traçado na parede. Não se desaponte comigo. Enquanto olho e penso em asas, O vinho não deixará de ser vinho. Digo já: és tão sol escorrendo. E sempre creia quando falo  De dentro da ventania De tua pele. Embora olhe Pelas bordas das tuas ancas.

TALVEZ ESTE ABSTRATO

Talvez meu modo abstrato seja um jeito concreto de abrir a criação, cercando o papel em branco com palavras que fingem pintar com poeira meu avesso retrato. Não tenho de ir por onde seja fácil soprar. Muitas vezes, não tenho solidão suficiente. Quando crio cálices de pássaro deixo a alma voar.