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ERGO SÃO ERGO SUM

Ergo meu dedo-falo aos que vendem sua tez e tesão
Aos que tratam a Arte com desfaçatez e circo e pão
Aos artistas que prejudicam outros artistas por vingança e ambição
E que se julgam vítimas inobstante o louvor da mídia e a mesa de seu banquete, plena de frutos de plástico brilhantes
Ao Poder Sem Rosto que nos dá aves corruptas a apodrecer nossos céus com cremes dentais
Ergo meu dedo-falo aos que nos erguem sua violência com baba dourada
Aos que trepam em nossa consciência sem remorso
Ergo meu dedo-falo aos que prendem pássaros e censuram vôos
Ergo meu dedo-falo aos que riem com máscara alheia
Ergo meu dedo-falo aos que murmuram calúnias
Ergo meu dedo-falo aos que sussurram sentenças com fel
Ergo meu dedo-falo aos que tratam o amor com psicológica clitoridomia
Ergo meu dedo-falo aos que surram cães como bebem água
Ergo meu dedo-falo aos que vampirizam dignidades
Ergo meu dedo-falo aos que se orgulham dos antolhos
Ergo meu dedo-falo aos que se envaidecem do efêmero
Ergo meu dedo-falo aos que gozam em nossas faces com fast foods
Ergo meu dedo médio aos que nos enfiam transgênicos pesticidas conservantes frituras sem lubrificante etc etc etc
Dedo-falo que ora é calo, fogo e fúria

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.