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ESCREVER

Escrever O que suportar Carregar no papel O que tiver altura Assuntar De acordo com a voz E de novo e de novo E de novo e de novo Escrever rasgando o ser

RODA INCESSANTE

Está a trabalhar o homem. Roda em sua roda incessante. Não para, não admite parar. Para que serve um Hamster? Para que serve um Homem? Para que servem um Homem? O sistema come-lhe a cabeça. Como comemos cabeças de peixe. E é quase sempre sábado onde as como. O sistema passa sua alma aos lábios. Como o pequeno trabalha! O barulho irrita, mas ele tem culpa??? Está a trabalhar. Dou-lhe ração e água em troca. E ele só alimenta meu prazer de o ver. Uma beleza pequenina de quatro patas. Ele tem uma disciplina oriental. Ainda não sabe do ócio fundamental. Seus ascendentes devem ser formigas.

SEM PROCURAR SENTIDOS

Sem algo a oferecer, aqui nesta janela me apóio. Em baixo, todos querem algo. Também querem entender. O que posso lhes oferecer, sem missão ou talento ou poderes extraterrenos? Posso dar raiva e água...mas.. somente pra uns poucos. Diariamente, me crio uma janela pra me ver com a imaginação. Sem pensamentos profundos como procurar sentidos para isto: um eu a escrever a navegar sem chegar ao fim das pedras nas mãos que as arremessam.

SOL DIVERSO

Um homem fora do lugar. Qual seria o lugar? Este, de dentro? Na pauta, um homem senta seu ser de árvore e rocha. Não pertence à sombra dos dias. Seu sol é circulado de noites espirais.

UM B. BUM.

A vida de um homem B. A vida de uma bactéria. Num grão de pó sua alma. Nada usa com moderação. Voltemos ao fato. Atravessa a rua. Miram-no e não caem. Porém, seu ser é escuro Buraco. Ou Berro De Barro. Um B. BUM.

O CÃO DE ARTAUD

Um cão de nome Artaud estirado na calçada. Uma multidão em fragmentos lhe desenhava. Uma massa enorme de um cão dos grandes. Um cheiro nauseante de violência. Embora não haja sangue. Pode ter sido morte natural. Venero a existência nua. A partir de ter topado com esse cão. Talvez por minha necessidade de ilusão. Ou por nada. Artaud também deve ter tido um cão. Seu nome devia ser Teatro. Deve ter alimentado ele com carne de primeira.

NOSSO REINO

Fotografia de um objeto traz à memória o toque inicial, que pousa sobre o objeto como a lua no colo de um poeta em delírio. Sem a flor-memória, nosso reino é inominável.