Dor única. Não posso dividir. É só minha, com seus peitos cinzentos. É só minha, com suas curvas em tijolos. Dor única. As sensações são de pedra. Na dor cabem as nuances do reino mineral. Na dor achamos um abismo. Na dor queremos o tato fundamental. O tato sem volúpia. O tato qual de espuma. Na dor, encontramos os olhos desorbitados. Como planetas desabitados.
Digo que o poema é meu sentido qual a tua dúvida tenho dívidas esta a dádiva da vida o amor que a vira Não te aches tão diferente por não ires por ali sem os que vão por ali tu nem sentirias o teu diverso vir Mas eu não vou por ali
De exegeses sobre a morte do pão caído com o lado da manteiga pra baixo estou farto, melhor lamber o caldo da noite misturada ao dia e seu fim recomeçado a cada vez que vemos os fatos com mais frequência A vida é dar três passos e parar dizer um verso e continuar até que deitemos de vez segundo meu amigo de versos diverso de outros amigos que tenho que um dia darão dois passos e deitarão a perder
Falar deste momento: o sonho o sofá o cérebro aberto sobre o livro o amor e a morte na panela cozendo e longe xingamentos se ouvem devem ser vozes no navio alheio cantando fantasmagóricos mares há filmes para ver na gaveta não que tenhamos de nos enfiar na gaveta mas há filmes que se assistidos mudam o ser de quem assiste e as falsidades se aproximam nunca viram um ouvido como o meu neste momento a lua lá fora enrugada para o dragão que prefere as manchas do sol almas nos becos das prateleiras há um carinho que vem e vai roçando a chuva desesperada
sei que decorre do pacto este sangue ralo e doce a paisagem que fingi nos olhos o cheiro que criei da ilusão o livro amarelo e com traças melhor digo: deixa as traças a que me façam companhia fico fácil desesperado e romântico sei que é inevitável leva a pedra que comprei de Sísifo as dores que serviram aos poemas os delírios que suguei das nuvens leva a língua que comprei de Íxion o cd do Pink Floyd o último lançamento da Ford que não tenho todo pacto tem suas regras pode levar a musa a rasgada blusa escrito yakusa e boca chiusa sobre minha inexistência sobre a panela preta a frigideira arranhada a xícara quebrada a alma com veias de sangue o corpo aéreo e por último leva o sentido que nunca descobri das coisas evitadas
E fizeram tudo Pra correr o desejo E punir em nós Seus efeitos. E fizeram tudo, Os da casta arcaica, Açoitando com versículos Os sexos das estátuas. Veio ferido, Compadecido, Crucificado Nos sentidos. E fez crescer tatos Ao rés da pele, Remexendo as grutas Ao entrar, apesar Dos pregadores Agitarem os cordéis Com suas varas tortas.