Incrível ainda você estar de pé, Depois do caos na mesa. Incrível ainda você se pentear, Depois dos laços na rede de pesca. Incrível ainda pintar as unhas. Depois do chute no saco de deus.
Ela nos olhava. O seu grande bico. Éramos os ovos para o escafandro. Ela não ria nem chorava. Sabia já do fim. Suas garras sempre afiadas. Eu nem ligava. Assoviava uma canção. Era tão bom. Isso foi no século passado. Ou foi agora?
Uma vida não é suficiente para virar espuma do mar um grão de areia talvez como aquela vez que me acharam espião e tu me disseste tens uma cara de dedo-duro e notei que duro não era o dedo mas o muro do medo Me prenderam em suas cabeças mas sai livre da palestra em que mães menstruaram sedes de vingança no amor havia bancos vermelhos embora brancos e preparavas o chá que me darias com a noite fatiada à faca de lua
Pegar um copo com as mãos um corpo com outro corpo mas quando se pega uma alma com a outra acontece deus como se a praia fosse eterna como se o filho se chamasse salvação