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COMO SE NÃO

Ele vivia como se não sofresse. Chutava os montes de cinzas quentes. Como se nunca tivesse atravessado O Vulcão da Mágoa. Mordidas em seu coração  Não eram só cócegas. Aquele fluxo anímico  Que viste jorrando em seus pulsos,  Por exemplo, foi por ter amado a culpa Que já está de poucos meses.

LAVEI O ROSTO

Fiquei sempre à beira Do amor respirando. Como óleo na água da Estireno. Tentei ser indelével E de olhar o nunca estar Sair ileso, Qual lousa sem traço, e Aprendi, pois sempre agira Com determinação, Criando mentiras Desde a verdade, Aprendi que o rio Só respira porque o digo, Qual o verso.

FELIZ ANO

Feliz ano novo, medo. Feliz ano novo, cedo Meu verso seco e novo, Fácil não me comovo.

TRAVESSIA ATRAVESS(EU)

Estou indo pra algum lugar. Perceba. Isso é um fato. Estamos indo pra algum lugar. E tudo passa, mas não deve passar. Pego meu cavalo, madeira-armadura, E gravo algumas canções desarmadas. Desde que veio a noite e seus confins. Desde que tudo ficou baço, enfim. Desde que matei o delfim a braço. Os pelos da alma caem, como da cuca. Estou batendo esta rua. Não molda o que quero. Não saem caminhos precisos. O martelo é duro. Enfim, atravessar .

VILANCETE PARA O TAQUARAL

Quer um tal de taquaral dar-me receita de poeta. Não conheço bem o tal. Mas tem razão o esteta, Fosse poeta, regraria minha escrita de pateta pelos versos de outros guias, que tem estilo final. Merece o crânio na pia, por me dar conversa tal, mas lhe dou sentença pia. O taquaral a si veta, tivesse eu avental seu verso esquartejaria.

GUERRA SEM BATALHAS

Talvez eu parta ao céu em noite clara. Apesar de muita noite escura, Tem que ter no luar clareza rara. Antes da partida certa, Musa, Mitos me despertarão a cólera E refugiarão em Siracusa. Haverá canções, luva nas garras, Ilusões no sul da Extrema Terra, Mortais e silentes cimitarras. Tem que ter no luar clareza rara Para que eu me evada desta guerra Onde versos morrem sem batalhas.

MENTIRA

Estou no canto, indiviso. Um canto sujo: cozinha De um ser mal redivivo Que à constância tem azia.... - Mas, que mentira peluda! Não vivo senão pra enferma  Beleza que traz tesudas Palavras a este Se(r)ma !