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TORTO POEMA A MONTAR-ME

Ah, tédio seria sempre ter um poema para críticos, amigos, e para isso. Então,  o drama me estipula. Torto poema a montar-me circula.

DEVANEIO VARIÁVEL

Num instante, o aloucado Ícaro, n'outro, o alocar de uma minhoca. O sol também terá um sono eterno. Toda estrela o tem, por certo. Mas sempre há uma suave chuva. Vamos ali prum café com uva? Um sorvete? Falar das curvas que comovem todo trem? Num instante, o mato do sátiro. Noutro, ele também. Seu desejo é fechar as ninfas com burca. Num instante, a deus temos, noutro, tememos deus, crença, descrença, mas quando passa o carro sobre nossas cabeças eterniza-se a estrada. Um amigo chora, escarlate, e isso o anoitece. Mesmo cético, creio, na noite que não é minha. Lembro a voz de Omar: "Nessa encruzilhada  do desejo e da necessidade, não deixes nada..." Falou alguma coisa mais.

ASMODEUS, IMPOSIÇÃO AO SOPÉ

Usava Aeshma Daeva camisinha de couro  de tubarão maquiado e masturbava-se com mão alisada em corais. Era um deus natural como um adolescente cheio de hormônios. Detestava salada de algas que serviam na cachoeira do acreditar. Quando os agentes da lei pegaram aquelas meninas no sopé da favela e elas lhes ofereceram aquela coisa preta no meio das almas, exatamente quando cheirávamos o pó das estrelas, como iríamos resolver sem ódio? Quando a gente entrou naquele bar, como escapar de odiar aquele Pai que condenava tudo o mais que não fosse seu falo ausente?Ainda mais quando ele nos olhou querendo converter-nos ao Natal, ao Dia de Reis, com seu cheiro de suor masculino. O remédio foi matá-lo em nós, não por inteiro, pois restos de veda-rosca exalavam no ser/alma enroscado. Aeshma estava conosco e, bêbado como um gambá, vomitou saladas primevas sobre os agentes legais, e, com hálito de águas tranquilas, escorou-se em nós quando saíamos da ilusão.

DOCE DOR DE SER ÁGUA

Dizem  que  um  poema  contemporâneo trinca brinca sem existir n os mamilos da nuvem literária e não trai como naquela vez em que prometi fidelidade e  finquei meus dedos românticos na boceta de uma titânide azul que era a forma tradicional de meus poemas enrolando as nove musas

NUNCA FEZ TANTO CALOR

Enquanto pseudos-fruidores com perfurantes olhos e bocas drenam do pescoço da cultura o sonho e reflexos, no instante em que vendedores no lotação  violentam mãos desnudas de meninas com balas, o calor torna mais "brabos" os covardes fatos cortantes.

MC DONALD'S COM M VERMELHO

Família assim Saindo: Duas moças E dois meninos, Sendo um deles bebê, E mais o pai e a mãe, Só pra esclarecer vocês. Entram todos no barzim Do fim da ruazinha: O do Marquim Dornaldis, Onde há na vitrine quente do balcão Linguiças pastéis e ovos de codorna De ontem e tresantontem, O calor matando e sendo morto, Uns bêbados chorando e cuspindo No outro lado do balcão o chopp fervente. Sentam-se então Duas moças E dois meninos, Sendo um deles bebê, E mais o pai e a mãe, Só pra esclarecer vocês. – O Haiti não é aqui... Cantou o caçula, Caetana e re(gil)iosamente. Na TV suspensa, Deuses de barba, Anjos da Guarda E nuvenzudas com silicone Se beliscavam, Enquanto lá debaixo Seis indultados no Natal Subiam a ladeira Portando metralhas E alma ruim. Acabando a subida, Entram no Marquim, Que lia o conto Sarapalha, Sujo de alho e mostarda, E o cercam. O galo canta três vezes Em tom de projétil Num celular vizinho: Fiu fiu fiu fiu GNAB (BANG AO CONTRÁRIO) BANG(BNAG AO CONTRÁRIO). A família é r...