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NUNCA APRENDI A PAZ

É como se nunca sempre te visse a não ser aqui e nunca, neste passo trôpego, no chão o cão, o pastor, o padre, o ladrão do Congresso Nacional, o conto que desvira o ver o mau político, sempre corrupto e por te olhar antes  do teu nascimento, Justiça, nunca aprendi a paz de ficar só

A GUERRA AGARRA

O chão está gelado, homens perdem o calor e mostram as garras, a guerra ainda agarra outras falas, reflexos, apesar do jeito terno das folhas nos homens e dos débeis sonhos, a guerra os comanda. O chão está gelado, corpos aos milhares na superfície, com isso não digo que a vida é ruim, apenas que o chão está diferente, os crânios que pisamos são os nossos e outros homens nos substituem, mesmo esgotando o sangue das coisas

TARDE ARDE ESQUECE AQUECE

Estendemos as mãos quando as sangramos nos fatos. Destampamos  os vãos da sinceridade quando o engodo  estampou a anti-norma. Nos feriu o cão quando todos  estávamos fora da culpa. A gente esquece  a pele  e a alma aquece depois  a sós .

CONHECI ANNE FRANK

Conheci Anne Frank  quando usei  pela primeira vez  minha armadura  e li suas cartas no canto. Quando li sobre os nazi  de sovacos suásticos. Anne me contou  do livro que não percebeu. Não percebeu  as pulgas mancomunadas  com piolhos que vivem da morte,  nem aquelas estranhas  cruzes quebradas. Ah, construí um oceano  para ela viajar  em barcos de papel. Vou lhe fazer um barco  com Fernando Pessoa nos cascos. Eu estou buscando tábuas  Na tabacaria da tua aldeia.

ÍCARO EM FAUSTO

A sociedade serviu-me um bolo, numa festa, com cultura patriarcal nas bordas cheias. Como-o, abusando de minhas prerrogativas vampíricas, quando as madres submetidas firmam os olhares. Um relógio usava, com o qual dominei as mulheres de  Nosso Pai, lhes mostrando as marcas em nossas costelas delas, às 11, 55 h dos dias 30 de fevereiro, horário do Éden. Hoje, uso as igrejas para reforçar as asas de Ícaro em Fausto.

NA PEDRA DO ESPELHO

Tudo o que escrevi na pedra Reflui da água à margem, Tudo o que refiz a traço, Que reli, vivi no espaço Em branco, p or um triz Não passo a régua . Se chorei, ferido, em farras, Com a filha duma égua Da palavra avara, Mais eu choraria, prego Que sou neste ser de barro, De verdes riscos, pacto De um deus triforme Com um espelhado, Que nesta alma riscam Formas inexatas .