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FRUTO E FLERTE ORELHA E OLHOS

De mente confusa, monto fusas contra dois inermes corpos. O sol tão quente só nos dopa em músicas. O calor é brabo abraço a fera abrupto. O suor é luto farto, som, fruto e flerte, orelha e olhos. A toalha é folha e a folha é bela embora a bula um olhar de bulha. Pego a caneta e risco a falha que me calha e vence.

VEM E VAI

Você vem, Você vai, Você vê, Você sai. Te olhar Dói de luz E é solar, Que faz jus Por amor De mais ir Que voltar Deste amor Que é luar Sobre um mar De cansaços

POEMA-CARNE

Cuspo dactilo-amargo eu de entre os dentes frágeis. Rútilos resíduos  ágeis de desejos bucais. A febre foi adquirida  por querer domar dela o poema-carne indócil.

ONDE O QUE QUEM OU QUAL

Só parti-me em mais eus Quando ao te ter desertaste Depois que o ser estacou No ralo azul do além-ser. Só me refiz quando fiz Do não-lugar o lugar Onde o espaço é falência E onde o tempo é por trás. Fui para longe e escrevi Um verso ausente mendaz E até agora não sei Onde o quê quem Ou qual mais.

TE DIRIGES PARA MIM

Te diriges para mim. Sei que passarás ao largo. Não me conheces. Me odeias até sem me conhecer. Talvez devido àquele torneio Na Idade Média que ganhei Para a concubina do rei. Imagino que nunca participei desse torneio. Que nunca conheci a concubina boa e bela do rei. E que vens e não passarás ao largo. Não me conheces porém. Me odeias até sem me conhecer. Culpa de outra vida. Como iria saber? Imagino que me abraçarás e serás presa do amor eterno desses amores eternos dos cadernos adolescentes de minha bisavó, infinito sentido de meu bisavô. Te diriges pra cá. E imagino que me beijarás e morderás o meu pescoço e sugarás meu sangue com ternura e me farás escravo do teu castelo que imagino ao norte da Europa. E toda noite me possuirás com teu mons púbis de Vênus e coxas macias e cheirosas. E toda tarde passearemos no jardim de ouro. E toda manhã banharei teu colo com água de eros. Mas sei que passarás ao largo. Pois me odeias por dentro do passado, ...

A MINHA ALEGRIA

A minha alegria é beber no copo que há pouco seguravas mesmo longe dos teus lábios. A minha alegria é o sol existir é a lua se exibir e eu pensar que é por você que só existe para este poema não deixar de existir.