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FALTA DE PROTEÇÃO AOS DA LAJE

Imóvel observo e salivo de mãos redigindo melosas pois ela acordou imóvel em cima da laje de bandas macias sobre a bandeja de onde salta uma gota ardente no suor salso de salamar O desejo móvel do poeta sempre foi buscar o som da luz mas não a esperava em cima da laje ensurdecendo olhos incandescentes e penetrando nos poros da visão Vejo os raios sobre suas espáduas, o suor deslizante em seus vales sua sensualidade ao vento do pensar e já são dois: o vento e o sol a desfrutar o frescor das ilhas Ela se vira e sua planície aprazível, solicitando exploração, recebe  dos jardins próximos inveja a toda flor e seus mamilos cerejas pra ponta do sol atentam nuvens sonsas, qual um  violar de pintura sobre tela (HÁ FALTA DE PROTEÇÃO AOS OLHOS)

AMAR SEM TRA-LA-LÁ

Vem o amor com certezas, Bate em portas com tesão, Sangrando seus mitos gregos. Mascando sem dó seu pão, Com muita libido sôfrega Em mil crostas de paixão. A canção que ele escreve Não cabe toda no afã Dos desejos confessáveis Nem sequer pode a divã. Não precisa ser recíproco O seu mergulho quântico. Assim o amor dispensando Os braços de canto em fá. Que não esteja em conforto, Isso pouco se lhe dá, Ele a tudo com seu fado Suporta, sem tralalá. A flor que ele abre: benção Dos atritos que o aferventam Tem seu perfume envolvendo O tempo com cargas densas De fervor, com seus imóveis E móveis gestos apensos. (Dizem que o amor aos domingos Com a família em volta à mesa Vez em quando imita missas Pra ter de Deus vista acesa Que por ser Velho seduz-se De cupidos na afoiteza.)

GANGORRA ERETOERÓTICA

Meu sentido, amor, é: primeiro, ter a faca na língua e cortar-te os sonhos ruins com boca afiada de desejos-lâmina, um teste certo de errar valores antigos. Meu sentido é ser curvas na praça de teu corpo. E tecer discursos em teu coreto com gritos de animal, c om conteúdos de odor para faros múltiplos. Quero que este errado seja ouvido por certo, e mostre o nem sempre exato amor. Segundo: m eu cerzir é aplausos ao drama de teu púbis amantíssimo. Forma verdades de amor no umbigo do teu ser, como macarrão de domingo no almoço. E brinca de gangorra em carne eretoerótica como churrasco com cupim sangrando.

CONTAMINADO

Este corpo que eu afirmo e que me nega, deitado numa calçada  com jardim á vista, é a única coisa que me faz lembrar de ti, e eu sei que você sabe que quando estou saudável sou tão forte que carrego estrelas, esfarelo montanhas, amasso aviões como latinhas, e você decerto lembra de quando eu dominei teu pai e irmãos com o amor que eu sentia por você; em verdade os contagiei com esse vírus afetivo que quase os levou à bancarrota, fazendo-os doar tudo que tinham a todas as mulheres que os fascinavam. Pois neste corpo carrego a alma em oração, co ntaminada pelo maior amor do mundo.  

ÓPIO DO TEMPO

Aos poucos, cessa o tic-tac e O real escurece: Dependurado, o tempo, Fato, feto em plasma. Sangras? Onde sairão as fotos Que tua vida consumiu? Na página, arriscam Sarcasmos a teu ralo defunto? Por teu vivido preconceito Desnivelam manchetes. Fotógrafos aspiram fotos tuas Como ópio de ampulhetas. Que fazer, se teu rosto morto Serve a manipulações?

DESARMAS

Eu andarei desvestido e desarmado com as desarmas da Santa Poesia, para que meus plagiadores, tendo embora fôlego, não me alcancem, tendo dedos, não me ceguem, tendo distância, não me cuspam, e nem em grupos literários excludentes eles possam me fazer mal. Críticas egocêntricas de fogo o meu espírito não alcançarão, que as mãos dos escribinvejosos se quebrem sem o meu verso tocar, poemas frouxos se arrebentem sem a minha obra simular. Santa Poesia, me proteja e me defenda com o poder de seu santo e divino delírio, me cubra com o seu manto desesperado, dando primor estético a todas as minhas dores e aflições, e Apolo, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e deformações em meus escritos. Santa Poesia, estenda-me o seu desescudo e as suas poderosas desarmas, defendendo-me com a grandeza dos grafemas, e que debaixo das patas de sua fiel quimera meus plagiadores sejam esmagados a poder de letras. Assim seja com o poder de criar a partir da aus...