Pular para o conteúdo principal

Postagens

FACES ENGANAM O ESPAÇO VAZIO

No aquário há o vazio depois da morte  de um polvo de plástico e dos peixes. A mulher limpa o teto das teias de aranha. O homem mergulha no papel onde nada até de costas. Escritor? Abraços falam paredes de vidro ao oco dos peixes-fantasmas. Faces enganam o espaço.

PERMEANDO

Fruto preso a meias Lua em meio ao céu Gesto meado no ar Ave em meia casa Corgo em meia mata Língua meio apensa Fogo em meia água Meio oceano e meio Meando mudas mágoas Soco a meio espaço Meio-chifre atesta Pedra em meio ao rio Onda-meia no entre Rocha em meio frio Flor de meia brisa Desarmando ameias Meio-vôo o anseio Que permeia as veias QUADRO ACIMA DE ANTONIO DE FELIPE

PÉS EM LUZ

Os pés de barro lutando juntos contra as águas anômalas. Assim, assim, o centro em pus irradiando luz no esqueleto.

GAZA ENFAIXADA

Gaza foi sangrada pelos fados de que deus? Um deus com gazes nos olhos seus? Cagou acaso um cu supremo sobre a faixa? quadro acima - Dioses Andinos - do artista UMONT

ÁRVORE-SER

O pisar além da soleira descreve corpos e almas o ser branco relê o dia o ser preto é de angústias por dormirem na onda do mar suas memórias de águas-vivas lavam as canecas na água da chuva Fica isolado o adolescente que pede para ser Árvore-Ser aceso de músicas

NA PAREDE ENCOSTO

encosto ouvidos na parede às mulheres mortas elas arfam cansadas regras as matam todos os dias e os barcos a vela sumiram todos os monstros marinhos converteram as algas subindo pelas paredes

NÃO ME PERCO DE VISTA

tento deitar aqui nesta cidade gráfica aguardando o grifo há barulhos diversos nesta cidade inerme alopécia nela lixo tento disfarçar o anseio nesta aguardando outros que me digam certo o caminho incerto não me perco de vista enquanto o vento se espedaça no tempo que o afoga