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POÇO TEMPORAL II

a cesura de sempre ficar aqui interrompido o nascer a argúcia de sempre partir triste sentido a finura de sempre regar o sol amando existindo rompendo sempre o ovo voando o voo ovulando a candura de sempre fingir a brisa sonhando não ter mais a amargura da felicidade em pausa a tortura de sempre migrar pra perto das idéias cegas a astúcia de sempre mudar e permanecer o pé da frente atrás a tonsura no crânio do temporal  inquieto em mim fendendo sempre indo e vindo circulando o poço da pele secando

UM CORPO ÁVIDO

um corpo grávido guarda na ave- útero seu ovo ávido, depois o quebra ao vôo da vida aí o ser invade por carência o espaço do coração do outro - um mundo - e não é demasiado tarde para pintar ou atuar ou musicar o inabalável fluir

ONDE B

Meu bonde não passou. Esperei-o. Mas estava em outro século. Dormindo na memória do tempo. Não o bonde comum. Não o dos quadrinhos. O do filme. A metáfora é maior. Uma casa talvez. Um carrinho talvez. O olhar azul de um céu pra todos. A face lisa da água em todo ser. É isso. Não aquele onde B.