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SOU A SOBRA QUE DÓI NAS SOBRANCELHAS

Eu sou o sol que som... Sou a lua que luz... Sou o tapete no qual mosquei.. E o escrito? Tudo acabou? O que começou? Eu sou o carro. O cão de orelhas murchas Na frente dos bois. Depois. O pássaro sem noção de vento. Sou o poema que se perdeu dos olhos. Tudo foi em vão? Do. Da. O que começou? Sou o cavalo gerado por mãe-formiga. Sou o assunto que não se inicia. Sou o tema que ninguém glosa. Sou o oceano que imita a si mesmo. Para que servi, Tempo? Para o som de corpo que se perdeu? Sou o abraço sem braços. O beijo sem bocas. O braço reto da curva. A sombra sem origem. Para que existo? Se vivo do que morre na memória? Não sirvo à merda de um texto único. E sirvo também. Antes que me peçam Que eu exista como régua, compasso E transferi- DOR.

JOGAREI EM TEU CAMINHO

Jogarei em teu caminho gotas de riffs de guitarra roubados de bandas que nunca foram avante por inveja dos pássaros emplumados Não escaparei da vida, criarei jardins onde flores nascerão com sua face de baterias estouradas Pararei o universo com baixos feitos do arvoredo que há em volta de cada pensamento de ódio e atearei fogo em toda a memória onde não estejas presente Batucarei nas estrelas, sangrarei anjos caindo pra começo de conversa, enquanto todos enlouquecerão com o som das entranhas do trovão, ao te contemplarem o indefinível olhar

METEORITO DE MAÇÃS

São escravos? Escravos de coisas bonitinhas e de coisinhas radicais  que aparecem na Glogword. Que vão comprar na esquina coisas pra diverti/ lapidar o dia- mante marchetando frio e duro por dentro o peido dos órgãos Lapidar a dia- mente fervendo sons de mercado distorcidos por fantasias de rebolados onde a inconsciência almoça e janta Julgo: eles apodrecem com vermes na ilharga dos ouvidos retratados nos jornais como anjos procurando infernos pra se salvarem de sua inexistência E os olhos deles esbugalham na espera do fim com suas teses pop de aprender a voar em céus mentirosos de celofane azul enquanto assaltam na cidade onde o medo almoça e janta Dizer para os anjos que eles não existem pois os sons são mortais pode até desviar o meteorito de maçãs

COOPTADOS APENAS

Cooptados, Cooptados com tal desfaçatez Apenas para ganhar E fingir no espelho seus Tons venais a amarelar Mil vezes, Usam a traição Para triunfar, Lagartixas a se melar Na antiética parede Do T ranssub, Abusam das costas alheias, Suas palavras  Na cal fina cravadas, Artistas com ética vendada Comem manos com risos A mancheias, E o trem não passa...

O EGO

O ego o nó seu cego o marinheiro só na pista corre nega artistas diz que é o tal o prego e rega o eu com coca-cola de pneu nos comícios-vícios onde o preço é vil