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SOU A SOBRA QUE DÓI NAS SOBRANCELHAS

Eu sou o sol que som...
Sou a lua que luz...
Sou o tapete no qual mosquei..
E o escrito?
Tudo acabou?
O que começou?

Eu sou o carro.
O cão de orelhas murchas
Na frente dos bois.
Depois.
O pássaro sem noção de vento.
Sou o poema que se perdeu dos olhos.
Tudo foi em vão? Do. Da.
O que começou?

Sou o cavalo gerado por mãe-formiga.
Sou o assunto que não se inicia.
Sou o tema que ninguém glosa.
Sou o oceano que imita a si mesmo.
Para que servi, Tempo?
Para o som de corpo que se perdeu?

Sou o abraço sem braços.
O beijo sem bocas.
O braço reto da curva.
A sombra sem origem.
Para que existo?
Se vivo do que morre na memória?
Não sirvo à merda de um texto único.
E sirvo também.
Antes que me peçam
Que eu exista como régua, compasso
E transferi-
DOR.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

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