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FLUTUANTES

O sol sentido pelas frestas da janela. O prazer de dar bom-dia a torto e a direito. O prazer de sair sob o vento. De sentir as ondas de vida no espírito. De sentir as ondas de mar nos pés. De comer comida quente Junto ao velho livro sem capas. Passear com o cão. O tempo suando em lugar nenhum, Ficar sentado perseguindo o nada Com preguiças acumuladas, Como asinhas soltas de moscas anciãs Flutuantes. Trabalhar dobrado, estressar, No olhar amado permanecer Ou se reconstruir em seu sexo. Prazer até no desprazer De se prezar finito e continuar.

LÁ UMA CÁ OUTRO

Lá uma Cá outro Um trisca o Outro bisca Por fora Por dentro Paradoxos Concêntricos Lá uma Cá ó Embora Um só Sós, sem periscópios, Petiscam na esquina Os ossos dos copos A horas mortas E nascem e vivem e dormem Na página zero do livro urbano Chamado Inconsciência

ALMA ENDIVIDADA

Sempre há diferentes reinos. E um homem por vezes é um trono em que algum deus senta. Um cão fareja a toda a hora o que o homem é. O focinho de um cão é a sua mente humana. Por farejarmos com a mente, lati-pensamos muito. O tempo vai escoando enquanto isso. E alma endividada desespera : perdeu, perdeu! Acaba sendo assassinada pela Estrada.

VÍCIO

Eis os traços negros Espelhando a morte. No urbano manto A nódoa e o corte. Eis a rua e o roubo E o rumo e o susto, O escrito avança No espaço a custo. E assim escrevo Esta noite, e a deixo. O humano esguia Do interno eixo. E um poeta gira No eterno vício De escrever a vida Sobre um precipício.