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O MAR ENTRE

Lembras: o mar se abria Por entre as pernas-mães. Lembro, o sol cosia, Enquanto fervilhava. Lembras, o vento do eu Já relampeava. Mil formas no mar Escalavravam. Nasceste morrendo, Mas já contavas. Tanta confiança  Pra quê, se não sou?

TEMPO MORTO

O tempo acumulado na ruga tornou-se o vale o sulco do homem em seu 3 X 4 submisso a desarticulações Onde mais tempo para brincar de seriedades? Sim: o suor do ponteiro no féretro da parede

DESVIANTE

Se sei o que o poema é, da vida real sei nunca, não sei da poesia os pés, sou hábil em gavetas Se beijo o que o poema fala, pretensão de sapo em fábula, se digo que isto é isto, isto é cisto quisto isto Se quero definir totalitário, meu total caos se organiza, se quero ordem, viro vário, ovário, mioma, corda E com desatenta rima sambo onde não quero, sei juntar vigílias dormentes com orações ardentes

ATRAVESSADOS

A vara sobre a montanha, na alma empedra a peçonha, a montanha estremecendo, o ter saco intumescendo o que se quer que se ponha entre os dedos do vento A cara sobe a vergonha, no corpo há liquidez para a oferta na cachoeira da carne que se desfez no desejo dos dolosos deuses atravessados por dentro

DESVONTADE

Vontade de não ter vontade desdesejo de não sair daqui para onde não me encontre num lugar despovoado de olhos e lábios bíblias de não-ler e de ter pontos de desvista sobre o que não quer que seja Vontade de não ter de ser não a sins de não sair daqui de estar onde me inadequem ao certo de possuir-me em nonadas a comida no prato nenhum as cascas no pires inexistente com apetite nuclear do século passado Vontade de sair de onde nem entrei para um naco de afirmação ao contrário sobre desliteratura ou desvida de pé de escada quero ver a vida desmorrer, acabar de soprar e voar e voar e voar desvirando o ódio do ar mudando o destino de seus ninhos depois eu posso colar meus neurônios

NEGASOLANDO

Sou brasileiro e dizem que somos macacos Isso é uma injustiça Meu rabo enrolo sempre no varal Qualquer um pode gostar de bananada Ainda mais, tenho uma poesia americana Trago em meu bolso poemas beat Goethe está em casa deitado numa mesa Livros que não leio acenam da biblioteca Então, não digam: eu sou INF. Existe brasileiro infeliz... E não-brasileiros inferiores O dia está frio E eu me sinto numa folha de pagamento Cercado de "ex-mares" em todas as ilhas... Mas Espantando o frio, a feiúra, o tédio, O sol brinca no umbigo de Deus, Seu mindinho aparece nas cortinas de cima E um gato pula nos joelhos do muro, E eu me mantenho à distância Dos jardins que vejo na idéia, Por medo do sonho disparar E começar a florear demais E eu perder a visão do sol negaceando

Vendedor de Si Mesmo

...Olhando virtualidades, ele/ela se enche de selfies enquanto se esvazia. Cede a manobras. A tentações públicas. Ao retrato no jornal. Que orgulha seu olho de peixe. Ao fim, ela/ele esconde-se na múltipla máscara. A face, ele/ela vende a eles/elas com dedicatória.