Pular para o conteúdo principal

DESVONTADE

Vontade de não ter vontade
desdesejo
de não sair daqui
para onde não me encontre
num lugar despovoado
de olhos e lábios
bíblias de não-ler
e de ter pontos de desvista
sobre o que não quer que seja

Vontade de não ter
de ser não a sins
de não sair daqui
de estar onde me inadequem
ao certo de possuir-me em nonadas

a comida no prato nenhum
as cascas no pires inexistente
com apetite nuclear do século passado


Vontade de sair de onde nem entrei
para um naco de afirmação ao contrário
sobre desliteratura ou desvida de pé de escada
quero ver a vida desmorrer, acabar de soprar

e voar e voar e voar desvirando o ódio do ar
mudando o destino de seus ninhos
depois eu posso colar meus neurônios

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.