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domingo, 18 de novembro de 2012

ZUMBI, HERÓI

Vinde a mim, Grande Orixá,
Não me faça ouvidos moucos,
De um guerreiro sem igual
Quero eu falar um pouco.
Dá-me então verve ligeira
Mas que atinja como um soco.

Quero falar de Zumbi,
Sobrinho de Ganga-Zumba,
Líder que deixou um nome
Que ainda hoje retumba,
E para enterrar seus feitos,
Não há nesta terra tumba.

A mancha da escravidão
Grassava neste país,
Tratavam como animal
O povo negro. Infeliz,
Por estar longe da pátria,
Chorava feito petiz.

A raça negra sofreu
Mas jamais se entregou,
Foi vítima de maus-tratos
E com seu sangue ajudou
O conforto do reinado,
Que muito isso explorou.

Assim se manchou a história
Deste brasileiro assento,
Igualando a escravatura
Com o período sangrento
Da militar ditadura,
Dois execráveis momentos.

Mas voltando ao assunto
Do bravo herói que falei,
Ele nasceu em um tempo
Que o fez fora da lei
Para o opressor mas seu povo
O fez honorável rei.

Nasceu Zumbi dos Palmares
No Brasil Colonial,
Sendo o Estado de Alagoas
A sua terra natal,
E o Quilombo dos Palmares
Seu rincão inicial.

O Quilombo dos Palmares
Foi pensado e construído
No ano mil e seiscentos
Por negros que eram fugidos
Dos engenhos de açúcar
Que hoje estão derruídos.

Zumbi teve nascimento:
No ano de mil, seiscentos,
E – creio – cinqüenta e cinco.
Foi glorioso o momento.
E mesmo dali a um ano
Era veloz como o vento.

O Quilombo dos Palmares
Ficava localizado
Na Zona da Mata em meio
De lugar pouco acessado,
E recebia os fugidos
Negros de todo o estado.

Prenderam Zumbi um dia
Em armadilha incorreta.
Com sete anos de idade,
Foi entregue a um padre asceta
Que lhe deu comida e teto,
E uma cultura completa.

Zumbi então traçou planos
De fugir na adolescência,
E achou bom aprender
Aquela cultura imensa,
Pois assim mais poderia
Ajudar a resistência.

Quando ele completou
Dezesseis anos de idade,
Fugiu para o seu quilombo,
De onde tinha saudade,
Conquistando em razão disto
Respeito e autoridade.

Apurou-se então nas armas,
Sendo ás na capoeira,
Com seu físico bem forte
E sua mente ligeira.
Tomou entre todos eles
A liderança guerreira.

O que lhe ensinara o Padre
Zumbi com sapiência usava.
Pensou nos grandes heróis
Enquanto se preparava.
“Rei de astúcia e estratégia”
Ele cedo se tornava.

O rei era Ganga-Zumba,
Guerreiro velho e sagaz,
Mas já estava bem cansado
Daquele guerrear audaz.
De vez em quando pensava
No que deixou para trás.

No ano de mil, seiscentos
E setenta e oito, acho,
Chama-lhe o Governador
Pedro de Almeida, um capacho,
Da Coroa serviçal
Em idade de fogacho.

Para os negros de Palmares
Queria dar liberdade
Desde que a submissão
Ocorresse de verdade
À Portuguesa Coroa
E à Cristã Divindade.

Ganga-Zumba dá o aceite
A esse acordo nefando,
Mas Zumbi ergue sua voz,
Dizendo, quase atacando,
Que havia mais escravos,
Não era só o seu bando.

Esse acordo era armadilha,
Não cheirava a coisa certa.
A gente negra inteira
Merecia ser liberta.
Ao ouvir o seu sobrinho,
Ganga-Zumba desconcerta...

Zumbi sempre respeitara
Seu tio Ganga, mas ser presa
Assim fácil, sem ter luta,
Da Coroa Portuguesa,
O desonrava e era
Contra sua natureza.

Além do mais, conhecia
Como eram traiçoeiros.
Na certa dizimariam
Sua gente e aos guerreiros
Por certo dispersariam,
Tudo tornando em braseiro.

E aos que sobrevivessem
A Coroa apagaria
A sua herança antiga,
A Cultura e a alegria
De ter uma identidade,
Com raiz, tronco e forquilha.

Ganga-Zumba foi deposto,
E Zumbi foi empossado.
(Há quem diga que o Rei Ganga
Foi adrede assassinado.
Que quem fugia ao Quilombo
Era pego e castigado.

E outros falam ainda
Que os quilombos só lutavam
Pelos que neles viviam.
E que se relacionavam
Com o comércio em redor,
Ao qual davam e trocavam.

Ganga-Zumba foi traído,
Segundo alguns doutores
Na pesquisa da História,
Que é isenta de favores,
Cujas descobertas doem,
Provocando seus furores.)

Mas voltando no assunto,
É fato, não faz questão,
Que Zumbi foi um herói,
Lutou contra a opressão,
Adiando o quanto pode
A portuguesa invasão.

Liderou por quinze anos,
Resistindo, sem ter falha,
Por sua gente e famílias,
Até que numa batalha
Com Domingos Jorge Velho
Uma faca lhe atrapalha.

Então vão, em retirada,
Mais dois anos, sem ter lar,
Liderados por Zumbi,
Vinte bons no guerrear,
Até que por traição
Descobrem o seu lugar.

Foi um tal Antonio Soares,
Cabra mofino e safado,
Que entregou a Zumbi
Para o Capitão Furtado.
Seja o nome de Antonio
Para sempre execrado!

(Uns falam que Antonio Soares,
Um dos leões de Zumbi,
Foi preso e torturado,
Transformado em Tapiti,
E obrigado a falar
Se não morreria ali.

Outros dizem que Antonio
Uma traição armou.
Zumbi foi lhe abraçando
E nada estranho notou.
Quando ao punhal sentiu,
Mesmo fraco, ainda lutou.)

Era vinte de novembro
Na tal Serra Dois Irmãos,
Sendo mil e seiscentos
E noventa e cinco o ano.
Zumbi lutou, valoroso,
Como Fidel, o cubano.

Zumbi não lutou em vão,
Seu nome hoje é lembrado
Como heróis de nações,
Foi um líder respeitado,
Seu nome está em canções,
A lembrar um povo honrado.

Símbolo de resistência
Contra a torpe escravidão.
Sempre buscou liberdade
De culto em religião,
Defendendo a cultura
Da Africana Nação.

Então vinte de novembro
Ficou lavrado e marcado
Como da Consciência Negra.
Zumbi, herói consagrado
Na luta por liberdade
Pra sempre seja lembrado.
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