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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

OBRIGADO POR LUTAR POR MIM




Desde que nasci de novo quando olhei os teus olhos.
Desde que renovei o nascimento do universo ao ligar-me a ti.
Obrigado por lutar por mim.

Desde que nasceram nossos rebentos como jardins a florescer amores.
Desde que, orgulhoso, me achei o senhor de uma guerra inexistente.
Obrigado por lutar por mim.

Desde que, no vencer das batalhas, me recuperaste o aço das espadas com as quais golpeei os azares.
Desde que, ferido, me levaste nos seus braços.
Desde que, cruel, despedacei dias escancarados mas inocentes.
Obrigado por lutar por mim.

Desde que, sedento, corri os campos com alegria despropositada.
Desde que, de cascos chafurdados na lama das manhãs de chuva, rompi os limites da velocidade e mordida.
Desde que, de crinas ensebadas pelo tempo penumbroso, ousei me sentir belo como a grama dos mitos.
Obrigado por lutar por mim.



Desde que, ostentando nossas pedras preciosas, levei-as para o brilho das praças.
Desde que, pegando-a nos braços, enfrentei a dança silente, aos assobios do queimar dos nossos sonhos.
Desde que, ombros e braços unidos, resistimos aos olhos flechados das dificuldades.
Obrigado por lutar por mim.

Desde o ainda agora em que minha gravidade estremecia.
Desde o ainda agora em que minhas pretensões me pesavam de amarelos ao pescoço.
Desde o ainda agora....
Obrigado por lutar por mim.

Desde o ainda agora em que meu corpo rompia os tecidos da alma iludida.
Desde o ainda agora em que me afligia o medo das batalhas.
Desde o ainda agora em que me crucifiquei numa cruz que forjei de troncos e pedras.
Desde o ainda agora em que me deixei levar 
pelo desabrochar de estranha penumbra gerada a partir do cansaço.
Desde o ainda agora em que me deslumbrei com os vitrais de um templo inexistente.
Obrigado por lutar por mim.
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