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terça-feira, 18 de março de 2014

NÃO PERCA TUA ALDEIA DE VISTA (PARA LEONARDO SÓ)

Estás voltando para tua aldeia,
depois de tanta luz e tanta sombra.
Mais sombra e luz ainda virá.
Para isso fomos feitos:
para os defeitos das virtudes
e para as virtudes dos defeitos.
Como Ulisses retornou à Ítaca,
depois de enfrentar os monstros em si
e fora, de arrostar o deus invejoso,
os feitiços do amor.
Estás voltando à aldeia.
Lá o espera o quê?
Mais esperança?
O primeiro amor?
Últimos amores?

Não pecaste contra o céu.
Não és indigno tanto assim.
És humano como a glória de o ser.
Os porcos são grandes professores.

Um aperto no coração?
Gastaste sem temperança.
Beijaste os lábios das egípcias
que se davam nos becos,
comeste o manjar
das hetairas modernas de São Paulo,
empurraste a vida nas paredes,
na ânsia de perpetuar-lhe o prazer.
Vestiste o melhor da Fenícia.
Calçaste sandálias de legítimo couro.
Mas tudo é tão efêmero.
Mas tudo é tão efêmero.
Sobreveio uma grande fome.
Teu coração teve fome de amor
e estás voltando para tua aldeia.
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