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segunda-feira, 20 de julho de 2015

CARCAÇA SOBRANTE

O homem e o mar
de estar com tempo escasso,
gorduras, lassos ossos,
ondas de morte sem espuma,
o espadarte de cada dia,
amarrar os ruins a canoas,
arrastá-los no ossário
do mar da cena ansiada,
embora a resistência;
os tubarões são insones,
cheirando pó nas festas,
pó de desumanidade;
amarrar então a alma à canoa,
preferível as sereias,
que elas te arrastem
fundo ao fantástico,
focinho nas luzes cegas;
a solidão deste alto-mar,
quem o conhece, ó velho,
como tu?
............................................................
Ingênua a esperança que trazes
como este rubor ao que desconheces;
não há mais aprendizes,
não querem aprender-te a Arte,
na busca servil dos tubarões
que ofertam o Produto Superior;
temem-te as rugas do pescoço,
canaletas de amargura,
erosões sem chuva, cancros de desânimo,
manchas de descrença,
logo tu que tens a fé
dos que desceram e subiram,
......................................................
Deixam o pé teus anjos sacanas
para que caias na lama azul,
e assim se apague a luz do canto,
cansaço de enganá-los sempre
com um sonho ou outro;
deixa que venha o tempo
e seus segundos massacrantes,
com dentes feito lâmina;
resta atravessares a linha da luta
como um funâmbulo
com graça de acaso,
atravessar o mar e arder, os
olhos no amanhã desconhecido,
peixe sobrante
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