Pular para o conteúdo principal

CARCAÇA SOBRANTE

O homem e o mar
de estar com tempo escasso,
gorduras, lassos ossos,
ondas de morte sem espuma,

pretensões de dominar
o espadarte de cada dia,
amarrar os ruins a canoas,
arrastá-los no ossário

pestilento
da rampa exibida

fora do mar tranquilo
deste sofá, onde é nula
a resistência;
os tubarões são insones

no planalto das cifras
da FGV VGF FVG GVF GFV,
cheirando pó nas festas,
pó de desumanidade;
amarrar então a alma à canoa,
preferível as sereias,

sejam sérias ou de entreter
à beira de uma história
que te arrasta
fundo ao fantástico,
focinho nas luzes cegas;
a solidão deste alto-mar fictício,
quem o conhece, ó velho,
como tu?
............................................................
Ingênua a esperança que trazes

nesta tua vaidade cômica,
como este rubor ao que desconheces;
não há mais
não querem mais a Arte,
na busca servil dos Amigos
que ofertam o Produto Superior;
temem-te as rugas do pescoço,
canaletas de amargura,
erosões sem chuva, cancros de desânimo,
manchas de descrença,
logo tu que tens um ceticismo digno
dos que falharam ao colocarem a rédea.
......................................................
Deixam o pé teus anjos sacanas
para que caias na lama,
e assim se apague a luz do canto,
cansaço de enganá-los sempre
com graça de acaso,
atravessar o mar e arder, os
olhos no amanhã desconhecido,
peixe sobrante, funâmbulo....

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.