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CABELOS DE PRATA

A minha Mãe. Seus cabelos agora são de prata. Seus movimentos sempre foram porto. Nos seus braços, quando eu era mínimo, Minha canoa aconchegava. Mas seu olhar ainda é tão rápido. Consegue ver todos os horizontes E intenções de navios. Nos rios de suas rugas,  ela guarda minha terra do nunca.

LUZ NOVENTA COM FLORES

As mulheres de noventa e noventa e poucos, cem e cento e poucos, são feitas do material de galáxias,  há uns sóis em torno delas:  de luz com flores de tempos transversais. Nunca conheci uma.

FATOS

Lucros:  lacres acres: sauros escroques de terno e arrogância lagartos governam comem as folhas do saber julgam com os lábios do interesse luta no Lácio de classificados disse o dinossauro no bolso da lagartixa sem educação sem saúde sem previdência o imperador não teme os pretores rasteja na parede há uma divisão um ódio contido na torcida sempre gostaram do pão e do circo no estádio dos gladiadores o inverno está se vestindo de noite

AS MU

As mulheres que são chuvas contra ventos insalubres são esperanças,açudes As mulheres insistentes apertam todas as nuvens, vivendo-se todo o ser, As mulheres inclementes gritam para fazer úteis o bem e mal de suas mentes, As mulheres resistentes têm nas veias rios densos e mole ferro nos ventres, As mulheres criativas são verdolengas, astutas, entortando o existente

A PEDRA

Uma mão joga uma pedra, a pedra, lenta, sonda pássaros, e curva o ar, se curvando, de encontro a centelhas, fagulhas de relâmpago, sons de aviões a jato, gritos fragmentados com escuros traços, gritos de alegria com claros entornos, e a pedra vai fazendo uma parábola, parando um instante a que um matemático/físico tire fotos, posando para um poeta antes de ser mais uma em meio ao caminho, imaginando que possa atingir o espaço infinito antes da curva final, a pedra curva o objetivo com destino ao rio da minha aldeia cubatense, e quando atinge a flor da água vai em câmera lenta pelas pétalas dos peixes, peixes bronzeados, com barrigas de tanquinho de óleo e águas servidas, antes de atingir o leito do rio, a pedra sente o fluir das moléculas estrangeiras, o frescor dos restos que negaceiam a boca dos predadores, chegando ao fundo num cansaço extremo de quem já viveu tudo

A POESIA FLUI

A poesia flui. Desliza por teus seios, no dedilhar dos ventos. Mas a poesia pára. Pára em teus seios como um vulcão-ins/tinto. A poesia é tara celeste. A poesia é plasma. Não, a poesia é cara. Cara à tua carne de páramos azuis. Tegumento, a poesia cobre o sumo da essência de teus cheiros. Não, há infinitudes em teus seios. Sim, são inchada loucura. A poesia treme em torta febre para a cura posterior em teus meios. É prisma. Não, ela é figura. Então, que eu disse? Matéria escura? Artéria e fogo. O Deus vivo. Viva Deusa. A Morta Esquina. Careta Brasílica. Coisa azeda. Gostosura. Duro belisco na alma/corpo. Jogo físico. Carência. Fartura. É onda ao vento. É mar de juncos. É o que eu disse. É sempre e nunca. Inutiliza? Desejo? Amplia? Flui em fiascos. E é carne crua. Como teus geométricos pensares... Dura e passa. A poesia que teus lábios auguram desde o começo dos tempos.