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SEM MODUS

Sem modus operandi, eis que o poema expande linhagem infinita de poesias sem lugar. Lugar disso é naquilo. Meu processo de poesia é passivo quando brande-se, a custo é que se equilibra meu processo dandi . Dandi é o que não percebe. Meu tempo cresce no hoje, disse Paulinho à viola. Mas o meu tempo é vazante e no dar-se-me estiola-te. Dando é que não se recebe. Sem lugar a não ser pra ruga Do espaço que cronos envelhece, O poema mata a pulga grafema.

MITO ALQUÍMICO - PARA A PEÇA TEATRAL EXODO

O desespero no limite A sempre iterritorial habilidade de sonhar O navio invisível lembrando  Quantas? Chegar a algum lugar pretensão  Num tempo de destruição de todos os lugares Num tempo de destruição do ir e vir Num tempo de destruição dos direitos cruciais Num tempo de triunfo dos déspotas públicos esclarecidos Num tempo de sem-tempo a não ser para desmontes do humano A pergunta que se faz é se há um pão de teatro para comer em paz Um pão de pintura pra se morder Um pão de escultura um pão de música Sem se tornar artista oficial Sem a necessidade de comprar vaselina Para que não doa o falo-imperialismo-econômico Como buscar o transreal sem dor O paraíso no mármore linóleo madeira acústica Como estar seguro na fronteira entre o real e o ilusório Como estar seguro fugindo de si mesmo O neo-fascismo acena com as delícias Querendo invadir os sonhos As faces do anjo maquiadas por telas e telões Na direção da terra prometida O sangue escorrendo dos ...

MEU SOLAU ENVERGONHADO

Com meus versos, nesta hora, faço agora o bem perfeito de louvar essa senhora deste desenho imperfeito de um livro da Idade Média, usando o imaginário, mas dando um real tempero. Esta dama medieva tem qualidades no peito que quantos o sabem coram, tudo nela é bem aceito, bela é por dentro e por fora. Direi a vós que não há igual em beleza e chora quem não consegue beijar sua boquinha de amora. Quando pousa a nosso lado com seus olhos de bonina, plenos de brilho, endeusados, na frente de uma cortina... Quando pousa no balcão com seu jeito de sofrer, tão triste, mas que contém a beleza das estrelas... Quando pousa, a sensação é de mar esverdeado, em tal iluminação, que torna belos os peixes e ao bom futuro inspira com seus líquidos encantos. Pode estar neste desenho, Mas sinto perto o seu cheiro... Ela mora em outro século, tem guardas sérios, matreiros gigantes ...

VIOLA BOLORENTA

Paulinho é gênio, Quer ser escritor. Só não leva prêmio Se o assunto é amor. Chega a ter ataque Quando vê Maria, Célia, Lúcia, Márcia, Juntas num só dia. Mas é no teclado Que Paulinho vinga, Joga o dedo irado E poemas singra. Vê a foto de um atleta E inveja em seu tormento. “Por fora, bela viola, Por dentro, pão bolorento.”

SECANDO SONS E SULCANDO SINS

Feri demais a alma em verso sôfrego, E fui sangrando mais, poetizando. Feri-a não, firo-a e sem fôlego É esse tom di(verso) me calando. Amo-a, alma de diversa idade, E enfio-lhe os dentes, furo veias, Mordo-lhe a complexidade, E entorto a luz que ateia. Vivo a ferir de escuros a poética, Hibernado em caverna impura, Onde Platão medrou nas mentes céticas. Adenso o ser pondo figuras De dentadas, frases fétidas, Na garganta que o poema acura.

ARTISTAS DEVORADOS

Vai começar o espetáculo! Adamastor, o Gigante, Artística Sindicalidade  Promontória, Que estabelece sindicalmente O profissionalismo com taxas, Regras e etiquetas e cursos, Alinhavou todos os artistas. Adamastor está contente! Vai começar o espetáculo!  Os artistas de ego inflado Por outros egos-flatos, Os artistas ingênuos, Os profissionais amadores, Amadores profissionais,  Todos neutros  Em relação à Luta! Ora, eles precisam armar o varal, lavar a alma na Vara de Deus. Porqu'ele brigou? Por nós. Eu quero é ganhar!  Diz o Eu(tista). Adamastor Sindico devora os artistas que não lhe beijam, Adamastor devora as almas devagar, Adamastor passeia com seus cães Que defecam figurinhas nas consciências, Adamastor vendeu todos os ingressos,  Adamastor se orgulha da Colônia Penal, Premiando a inteligência abstrata Do Artista Profissional Adamastor Amador Com vaga na Academia e no bar  "DAS CINCO". Xanão. "Chegou Payo de Maas A...