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MITO ALQUÍMICO - PARA A PEÇA TEATRAL EXODO

O desespero no limite
A sempre iterritorial habilidade de sonhar
O navio invisível lembrando 
Quantas?

Chegar a algum lugar pretensão 
Num tempo de destruição de todos os lugares
Num tempo de destruição do ir e vir
Num tempo de destruição dos direitos cruciais
Num tempo de triunfo dos déspotas públicos esclarecidos
Num tempo de sem-tempo a não ser para desmontes do humano
A pergunta que se faz é se há um pão de teatro para comer em paz
Um pão de pintura pra se morder
Um pão de escultura um pão de música
Sem se tornar artista oficial
Sem a necessidade de comprar vaselina
Para que não doa o falo-imperialismo-econômico
Como buscar o transreal sem dor
O paraíso no mármore linóleo madeira acústica
Como estar seguro na fronteira entre o real e o ilusório
Como estar seguro fugindo de si mesmo
O neo-fascismo acena com as delícias
Querendo invadir os sonhos
As faces do anjo maquiadas por telas e telões
Na direção da terra prometida
O sangue escorrendo dos tubos do ser
A placenta do ator/atriz estourando ao desejo de sair
Há lugar disponível depois dos bastidores em naufrágio?
Há espaço seguro depois do antes?

Fazer permanente êxodo sem naufrágio?
Fazer persistente andar
Como fugir da ajuda púbica/pública?
Como sair dessa privada aquém?
Maia no navio braceja em diversos amigos
O Mito em seu poder alquímico
De tontas tantas

Comentários

Dilmar Gomes disse…
Grande, profundo - maldito, dirão os secretários oficiais status quo - poema. Um olhar pelo cotidiano sem o uso de lentes coloridas.
Um abraço. Tenhas um bom dia e uma boa semana.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.