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FORMIGA DA HISTÓRIA

Contarei uma história em que uma formiga... Contarei essa história na falta de outro enredo  menos picante e doce. Contarei que ela alcançou  a borda do copo e que não pensou  em amor ou ódio enquanto quase morria. E que quando ferroou meu dedo assinou sua sentença de morte. Mergulhei-a no copo. Minha mãe diz  que é bom pra vista.

ALEGRIA COM ESCOLA RECHEADA

Hoje, há o deserto  e em cima dele o teu nada.  Mas isso é muito triste pra se escrever.  Concentro-me então no ontem. Ontem, na escola, eu era apetite feroz de amor.  Ontem, eu com garras de tempo-de-sobra.  Ontem, tinha desejos pelas colegas de direita  pensando nas da esquerda  e ao mesmo tempo  quebrava a testa nos vidros  da sala de literatura.  E era apenas o gordo poeta  que fazia poesias  com desenhos indecentes. O Brasil já tinha problemas  em seus dentes e gengivas.  E todos tentavam aumentar  o nível dos pratos.  Em Cubatão,  os intelectuais e jovens  sempre foram dados jogados  por quem os cooptasse.  Não todos.  O resto bebia ou treinava  com Mestre Cotidiano  obediente a seus pais.  Os artistas sempre foram  as vítimas preferenciais.  Esses bichas, essas putas,  esses destruidores ...

ALUGAR UM NÃO-ESTAR

Sei que há para lá um aqui mas alugar é caro. Um aqui para lá com casinhas de chuva. Há uma ilha em que todos estamos. Uma ilha de não dar pra morar. O preço dos aluguéis um absurdo. Há um não-estarmos quando alugamos. Mas o que há para lá? O outro, onde está? Meu conteúdo aqui é alugar o poema. Enquanto escrevo para o outro sem pedagogia. Soube de uma morte aqui do lado. O outro morreu mordido por um locador. Mentira mas verdade isso. Preciso de uma casa com aluguel baixo. Um poema já consegui sob as axilas. Há signos escorrendo por minhas costelas.

BOLSÓDROMO

Bolsas europeias operam em baixa. Mães européias estouram suas bolsas. E as campanhas de bolsas da DIOR??? Também há as pequenas bolsas da Cracolândia. Beija-Flor cego e sem faro mira os olhos de moça com bolsa a tiracolo.