Pular para o conteúdo principal

Postagens

GELO E CARVÃO

As guerras continuam.... Generais e Marechais gelatinosos Tomam vodka com Presidentes. Quantas cachoeiras acesas deliram por tua sede nada bélica e gótica? Que atires poemas líquidos sobre angústias em fogo e faças uma pomada que os cure. Aproveita tuas mãos tristes e fricciona no agudo calo interior dos que ferem. As guerras continuam, mas... Há fome, rios engolindo olhares, etc. etc. E se passares um unguento, uma droga em poucos versos, ou quem sabe em diversos sons fazer sua morada de revolta e fúria? Continuam em nós as bestas da guerra de dentro pra fora de fora pra dentro em vermelho-cinza absoluto e relativo, entre dois princípios de gelo e carvão.

MORREREI JÁ QUE VOCÊ QUER

Me falam que morrerei. Me vigiam sabendo disso. Que morrerei por vontade Em qualquer retrato. Falam de um mosquito. Que perdeu sangue e caiu. Pra que eu não perca o meu Quando a vontade vir. A morte nasceu numa espinha Que no meu rosto apontou. Era tão poesia minha  Quando do ventre eu saí. O oceano brame ao longe. Ele é feliz tempestuando Ouvindo o canto da terra, Eu sou morrente mas ando.

UM POETA TAMBÉM

Um poeta também se vende em troca de uma aranha que teça fios de vida em café livro sofá ou em troca de um país melhor de uma cidade ideal sem cabelo em rochas sem azedas calabresas mulheres metálicas sem aceboladas cabalas com qualificadas coisas praças cultura, cortina, ventilador, ar condicionado, mormente, onde outro poeta se compra .

CHAMADO ARREMEDADO

Assim meu mundo caminha nas arestas Cheio de extensões fraudulentas do ser: Cópia de algum outro que se imagina original A montar o arremedo de si abaixo do título.

EXCESSOS SEM CORPO

Há excessos de Deus-Sabe. Há medo de não ter pedra Que abra a casa dos bons Que em altura se atesta. Pastores flagram ovelhas, Monges entopem cadeias, Sacerdotisas enganando, Ambições fazendo a feira. Temos que criar valores No corpo a partir daí Dar carne sã como for A inéditos princípios.

VÊS

Vês como molham-me teus olhos raivosos? Me afogam e transfundem e resfolego... Que eles soterrem-me e me irisem...

UM DIA ME MATEI, ENTENDE?

Um dia em que um amigo morreu no ajeitar-se às pedras, uma amiga o criticou, dizendo: suicidou. Um fraco. Merece pena, não é como você. E deitou sobre mim uivando um gozo provisório... Então, eu me matei, depois de lhe deixar o meu orgasmo. Porque para um homem se matar tem de ter em seus olhos o fogo da Fênix, em sua boca o hálito de Cérbero, em suas orelhas o segredo da Esfinge, em seu pescoço a dureza dos Titãs, e desafiar os deuses como Prometeu, para enfim chegar ao esquecimento de muitos com os quais até se deu. Me matei e ninguém me impediu. Porque a decisão é solitária. Quando a gente quer, quer. Foi assim: escureceu-se o palco. O trem vinha ao longe. Ainda olhei pra trás a procura de um acaso. Quem sabe de uma mão eterna. Só um rato enorme ultrapassava a ponte.