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MAPA DE MARÉS

Ela tão túmida entrou em seu banheiro claro e amplo. Os lábios do seu anjo estavam sujos do selvagem de todas as viagens. Os lábios do anjo túmidos da salsugem das marés das horas findas. Dionísio fizera das suas e percorrera seus espaços com o melhor vinho e águas proibidas. Quem olhasse de perto entraria em êxtase absorvente por sua nuca de sol sob os cabelos. Quem olhasse de perto assistiria em suas pupilas o desfilar das dores ocultas em pequenos unicórnios. O corpo riscava no jorrar da água as retinas da realidade de ilhas de refazer corais. A geografia do corpo desfilava relevos em gestos e silêncio de chuveiro jorrando. Fumaça, "fog" londrino doméstico no box. A inabilidade do corpo feminino se reinventa no mapa de suas marés. Fecha o registro.

SALVO POR DENTRO

Um estilo,  estúpido modo de me demarcar. Tudo é tão rápido  e muda sem esperar. O que é que faço  com a hóstia súbita  que dos olhos de minha mãe  me enfiaram  goela abaixo com um gole  de vinagre? Espero que seja salvo  por dentro da viagem

SOMOS EFÊMEROS NA MESA

Somos efêmeras moscas Na mesa do spider-man. Estamos presos pelo copo E a nudez do tempo  É pontiaguda. Quem sabe  O que nos soltará  no além-da-mesa. Cobertos por todo ódio de fora Esperamos o despertar Do inferno desta mesa.

SE O ESCRIBA MENTE

O que é que sente o escriba a se mentir, a tentar ir, quando a alma corta  o pulso, o que mente o que  fez, pensa ou pensava que devemos ter, que podemos ser em se envolver, em que termos ir como por prazer, o que perguntar, o que responder, o que decorar, o que compreender, o que qual e quando, ir comparecer, em qual seção, qual sentido ver no que é  se o escriba mente

MENTIRAS CONFIÁVEIS

Embora pense em Soraia  e sua saia, e ceta, não chora, fica sério e recompõe-se na atalaia de um bom poema, onde esquece  a boca séria e vária, em que a água  o molha e mata as frases falhas, que a liberdade empurra junto aos galhos diários, em que o homem pousa  e mata,  faz-se escravo tira foto de uma vã ação,  que pouco o move, escreve e como escreve  embora pobre despejando  sua sopa filosófica num chopinho com ovos de codorna enquanto passa a marcha a história

RAIZ MINHA

Ainda duvido desta dívida Com o Éden.  Mas só pra espantar essa incerteza, Tasco um beliscão nesta insípida Espada E com ela corto a maçã. Que pouco acresce,  embora parte da minha raiz.