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FEBRIL

Escorrendo, finitudes no rosto. Escorrendo, baratas soprando na orelha dos postes, Fofocas de grilos, Promessas com poças, E o coração fica febril  Quando ela abre o guarda-chuva.

DO INENARRÁVEL

Inenarráveis vermes de angústias A passear entre homens e seus infernos, Dispostos nas brechas das almas. Pouco interessa às máscaras urbanas Sua volátil argamassa de hipocrisias. Dois homens de pé perto de um carro Fazem acordo para ganhar milhões. Farão muitas entregas Regadas a "papus corruptus". Nas praças onde sem-teto dormem, Estátuas acarinham cães. Onde a indiferença faz graça, Inconsciências olham para os lados E escolhem um partido político.

FACES ENGANAM O ESPAÇO VAZIO

No aquário há o vazio depois da morte  de um polvo de plástico e dos peixes. A mulher limpa o teto das teias de aranha. O homem mergulha no papel onde nada até de costas. Escritor? Abraços falam paredes de vidro ao oco dos peixes-fantasmas. Faces enganam o espaço.

PERMEANDO

Fruto preso a meias Lua em meio ao céu Gesto meado no ar Ave em meia casa Corgo em meia mata Língua meio apensa Fogo em meia água Meio oceano e meio Meando mudas mágoas Soco a meio espaço Meio-chifre atesta Pedra em meio ao rio Onda-meia no entre Rocha em meio frio Flor de meia brisa Desarmando ameias Meio-vôo o anseio Que permeia as veias QUADRO ACIMA DE ANTONIO DE FELIPE

PÉS EM LUZ

Os pés de barro lutando juntos contra as águas anômalas. Assim, assim, o centro em pus irradiando luz no esqueleto.

GAZA ENFAIXADA

Gaza foi sangrada pelos fados de que deus? Um deus com gazes nos olhos seus? Cagou acaso um cu supremo sobre a faixa? quadro acima - Dioses Andinos - do artista UMONT