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OS DENTES DE DENTRO

estou presente e testemunho no agora a volta das rochas enegrecidas aos vazios castelos em ruínas estou presente e presencio o retorno do velho homem do martelo testemunho o pranto que está prestes a vir ao rosto da cansada mãe e o trigo a apodrecer testemunho na antiga tela do pintor insano o insano é lúcido vejo um coisa a protestar da liberdade de um homem em pintar o sagrado com suas próprias cores numa cruz e este coisa cujo nome é número tem seu sentir numa urna eleitoral vejam seus dentes na TV escovados com o creme hipocrisia vejam como ele defende seu loiro deus do deus que há no outro cuja voz sangra palavras proibidas e é negro branco amarelo e rubro vejam seu mavioso terno vejam seus maviosos amigos no navio da pretensão de virar o mar em céu testemunho o pranto das mães que em medo rezam diante da obrigatória cruz nos edifícios nos catres nos potes nos pratos nos copos nos fatos não há mais tempo só templos fora do temp(l)o interno mas... temam também os dentes de dentro ...

MÃOS E PERNAS

mãos sobre cabelos pernas sobre poltronas risos ecoam úteis inutilidades discutem-se ficções uma leve careta como um carteado antigo jovens voam na sala jovens com olhos acendendo fraquezas de morcegos velhos como nós daqui a pouco, verão "AS VERDADES SOBRE O AMOR" depois pipoca ensaio dos pardais conectados hospedando-se nos galhos da noite

A NOITE ESTÁ PARA

a noite está para dinossauros um pirilampo seduz o poste da esquina quase entra no nariz da câmera a noite está para dinossauros carros trafegam nos nossos pulsos desajuste da luz a noite está para dinossauros uma morte dentro de um sonho é preciso trocar a lente tudo é meio proterozoico nos olhos os gestos fluem em noturnidades cai claquete por artes do vento

POÇO TEMPORAL II

a cesura de sempre ficar aqui interrompido o nascer a argúcia de sempre partir triste sentido a finura de sempre regar o sol amando existindo rompendo sempre o ovo voando o voo ovulando a candura de sempre fingir a brisa sonhando não ter mais a amargura da felicidade em pausa a tortura de sempre migrar pra perto das idéias cegas a astúcia de sempre mudar e permanecer o pé da frente atrás a tonsura no crânio do temporal  inquieto em mim fendendo sempre indo e vindo circulando o poço da pele secando

UM CORPO ÁVIDO

um corpo grávido guarda na ave- útero seu ovo ávido, depois o quebra ao vôo da vida aí o ser invade por carência o espaço do coração do outro - um mundo - e não é demasiado tarde para pintar ou atuar ou musicar o inabalável fluir