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OS DENTES DE DENTRO

estou presente
e testemunho no agora
a volta das rochas enegrecidas
aos vazios castelos em ruínas
estou presente
e presencio o retorno
do velho homem do martelo

testemunho o pranto
que está prestes a vir
ao rosto da cansada mãe
e o trigo a apodrecer
testemunho na antiga tela
do pintor insano

o insano é lúcido

vejo um coisa a protestar
da liberdade de um homem
em pintar o sagrado
com suas próprias cores
numa cruz
e este coisa
cujo nome é número
tem seu sentir
numa urna eleitoral

vejam seus dentes
na TV
escovados com o creme
hipocrisia

vejam como ele defende
seu loiro deus
do deus que há no outro
cuja voz sangra
palavras proibidas
e é negro branco amarelo e
rubro

vejam seu mavioso terno
vejam seus maviosos amigos
no navio da pretensão
de virar o mar em céu

testemunho o pranto das mães
que em medo
rezam diante da obrigatória cruz
nos edifícios nos catres nos potes
nos pratos nos copos nos fatos

não há mais tempo
só templos
fora do temp(l)o
interno mas...

temam também
os dentes
de dentro

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.