Pular para o conteúdo principal

Postagens

AMO-TE LUZ

Amo os teus olhos de fazer risco nas imagens. Os teus braços a entrançarem no teclado. Os teus óculos porque te roçam. Amo a poesia rimada que te faz brega. Amo o som que escutas, embora vibrem demasiado. Amo tua piedade para com as coisas. Para com as filhas, os amigos. Amo o ar em que respiras ritmando. Amo-te a crença nos castelos medievos em que te matei. Matei? Porque eu era gordo, barbudo, com dentadura de madeira. Só que era bom espadachim, o que foi ruim para teu amante. Me disseste isso. Ainda me lembrarei. Hoje estamos regenerad….é melhor esperar mais um pouco? Amo observar tua crítica aos poetas que se elogiam na rede, Deitados na rede do sentido con/temp/errôneo da contemporaneidade Que balança para os escolhidos da época. Esta época lhes cabe. Os longamente amados dos editoriais. Dom Quixote se aproxima. O Moinho é antigo. Estou pendurado em suas hélices. Tu giras comigo.

ESCREVO E SAEM

Escrevo e saem as montanhas a voar. Escrevo e começo a andar no teto. Escrevo e começo a correr pelas paredes esbatendo os vértices. Não preciso que me digam que sou poesia sangrando. Escorro como escrevo. Escrevo sem pedir socorro. Uma palavra se pareceu com outra? Deixa correr. Rimo demais? Deixa. É construção espelhada. Não preciso que me falem das ruas. Sou as ruas. Não as que conheço. Mas as que desconheces. Estou no berço constantemente. E sou o vento de seu balançar-me.

SOB TUA PALAVR'ÁRVORE

Cada vez que penso, a poesia se enfeita. Penso com os olhos fechados, abertos para dentro. E cada vez que me fecho o mergulho é mais fundo. Pretendo mergulhar até o outro lado de tudo. Talvez assim eu me ache nada pleno de vazios cheios. E possa quiçá dançar um tango com a poesia. Um tango com os globos oculares ausentes. Que ao fim ela, a poesia, se canse de mim. E me empurre nos espinhos que plantei nos fatos. E me mande lavar louças no Aquer'Ontem. E cuspa em mim seu cuspe doce como algodão dócil. Depois, que me levantem as mãos do sonho. Drogado de realidade. Sem reputação. Assim, em desequilíbrio, o sonho macule. Me faça prender entre grades sistemáticas. Que me renegue delírios. Que me faça condenar aprisionado nos dias. E se os dias forem largos, que eu seja preso nas horas esquecidas, Ou nos minutos, ou nos segundos sem lembrança. Isso é porque estou pensando. Pensando. Pensando. Pensando. Pensando. Apenso para dentro. Que ao fim, me canse e descanse ...

FLOR ESTA QUE

...Fazer um poema claro todo mundo enxergaria menos o cego completo no verbo a fazer o corte. ...Mas se a vida é metro curto sem claro e escuro certo resulta que o tempo é pouco para a absoluta régua. ...Fazer um poema claro para fatos-redemoinho cujo fim tranquilo é raro qualquer um aceitaria ...Mas fazer escuro e claro Misturando mel com fel Dá mais brilho e distancia O escritor de Babel.

DA BONDADE

Somos bondosos? Há quem diga que a bondade é natural. Até os maldosos. Os maldosos exercem sua bondade com fúria. Olhamos o próximo. Se o olhar desvia, desviamos nossa bondade. Como os pardais e pombas. Sujam sem saber que estão sendo bondosos. A bondade dos pássaros aos auxiliares de limpeza. Graças aos pássaros eles limpam. A morte é bondosa. Não avisa. Chega simplesmente. A vida é bondosa. Não avisa. É-nos dada simplesmente. Não querem ser bons com o magoado, o medroso, o inseguro. Querem ser bons com os seus. A bondade atravessa o mar. A bondade trepa em caravelas. A bondade penteia as algas excitadas. A bondade nas rochas. Estilhaçada. Para se recompor mais adiante. O olhar imaturo dos que não sabem ser bons. Não sendo bons, não sabem ser maus. Mas há maldade no excesso de bondade. Como há bondade no excesso de maldade. A mulher e o homem crucificados no excesso de convicções. Precisam de algo para ser bons de modo verdadeiro. Precisam de equilíbrio. A bondade chega e senta à mes...

OS DENTES DE DENTRO

estou presente e testemunho no agora a volta das rochas enegrecidas aos vazios castelos em ruínas estou presente e presencio o retorno do velho homem do martelo testemunho o pranto que está prestes a vir ao rosto da cansada mãe e o trigo a apodrecer testemunho na antiga tela do pintor insano o insano é lúcido vejo um coisa a protestar da liberdade de um homem em pintar o sagrado com suas próprias cores numa cruz e este coisa cujo nome é número tem seu sentir numa urna eleitoral vejam seus dentes na TV escovados com o creme hipocrisia vejam como ele defende seu loiro deus do deus que há no outro cuja voz sangra palavras proibidas e é negro branco amarelo e rubro vejam seu mavioso terno vejam seus maviosos amigos no navio da pretensão de virar o mar em céu testemunho o pranto das mães que em medo rezam diante da obrigatória cruz nos edifícios nos catres nos potes nos pratos nos copos nos fatos não há mais tempo só templos fora do temp(l)o interno mas... temam também os dentes de dentro ...