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AMO-TE LUZ

Amo os teus olhos de fazer risco nas imagens.

Os teus braços a entrançarem no teclado.

Os teus óculos porque te roçam.

Amo a poesia rimada que te faz brega.

Amo o som que escutas, embora vibrem demasiado.

Amo tua piedade para com as coisas.

Para com as filhas, os amigos.

Amo o ar em que respiras ritmando.

Amo-te a crença nos castelos medievos em que te matei.

Matei?

Porque eu era gordo, barbudo, com dentadura de madeira.

Só que era bom espadachim, o que foi ruim para teu amante.

Me disseste isso. Ainda me lembrarei.

Hoje estamos regenerad….é melhor esperar mais um pouco?

Amo observar tua crítica aos poetas que se elogiam na rede,

Deitados na rede do sentido con/temp/errôneo da contemporaneidade

Que balança para os escolhidos da época. Esta época lhes cabe.

Os longamente amados dos editoriais.

Dom Quixote se aproxima.

O Moinho é antigo.

Estou pendurado em suas hélices.

Tu giras comigo.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.