Senhora Dona Persona, E toda gente, me escutem: Nasceu em solo baiano Como Raul Seixas Santos Nosso maluco beleza. Fez-se lobo “kavernista” Em sessão das dez, uivando, Derrubando sopa em mosca, No luar de si pairando. Tentou o ouro de tolo, Mas não quis esse caminho, Embora cheio de sorte, Pois seu sonho sob os astros, E sob a luz foi mais forte. Ao luar ele fez vôo Raso, largo e bem profundo. Fez o seu cantar famoso Nos pegues-pagues do mundo. Criou um rock gostoso, Melado em baião, xaxado, Tango e bolero sestroso, Saindo um som dos diachos, Sem mal, mas malicioso. Sempre tentando outra vez, Mordeu maçãs com verdade, Rezando à Ave-Maria Por mais criatividade. Não desapontou o povo Compondo belas canções, Dando aos pedros brasílios Uma obra de valor, Com lucidez na loucura Sem conselho ruim, careta, De há dez mil anos atrás, Buscando cedo as respostas, Pois saber nunca é demais. Alertando contra abusos, Tinha audácia em suas vistas, Sempre na frente da vida, Sob o olhar dos fascistas....