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RAULZITO

Senhora Dona Persona,
E toda gente, me escutem:
Nasceu em solo baiano
Como Raul Seixas Santos
Nosso maluco beleza.
Fez-se lobo “kavernista”
Em sessão das dez, uivando,
Derrubando sopa em mosca,
No luar de si pairando.
Tentou o ouro de tolo,
Mas não quis esse caminho,
Embora cheio de sorte,
Pois seu sonho sob os astros,
E sob a luz foi mais forte.
Ao luar ele fez vôo
Raso, largo e bem profundo.
Fez o seu cantar famoso
Nos pegues-pagues do mundo.
Criou um rock gostoso,
Melado em baião, xaxado,
Tango e bolero sestroso,
Saindo um som dos diachos,
Sem mal, mas malicioso.
Sempre tentando outra vez,
Mordeu maçãs com verdade,
Rezando à Ave-Maria
Por mais criatividade.
Não desapontou o povo
Compondo belas canções,
Dando aos pedros brasílios
Uma obra de valor,
Com lucidez na loucura
Sem conselho ruim, careta,
De há dez mil anos atrás,
Buscando cedo as respostas,
Pois saber nunca é demais.
Alertando contra abusos,
Tinha audácia em suas vistas,
Sempre na frente da vida,
Sob o olhar dos fascistas.
Sonhou um dia com Freud
Em dentadura postiça,
Que sugeriu se deitar
Num hospital o Brasil,
Carente de ter Justiça.
Aguardou morte chegar
O seu sonho em paranoia,
Sob o rock das “aranha”,
À beira de um pantanal,
Onde um sábio bem chinês
Quer dançar num trem das sete,
Esperando o trem passar,
Qual messias em ascese
No egoísmo de amar.
Desde menino, Raul
Disse a todos só querer
Ser cowboy fora da lei,
Com seus cavalos calados
Na contramão da ampulheta,
Vestindo o tempo desnudo,
Um mito pleno de pó,
Sem carimbo de sistema,
Sem sonho sonhado só,
Tendo sempre em mira a interna
Sociedade Alternativa...

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.