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AMAR É NÃO SABER NADA

Dois pontos, não muitos: Amar te revela. Amar te esconde.  Amar passa perto. Quando não passa longe. Amar é se abaixar pra acariciar uma formiga.  É se levantar pra pentear o sol. Amar é castigar a si mesmo.  Talvez o próximo também.  Amar é atirar a esmo. Talvez mirar e acertar. É andar de bicicleta num fio de água. Voar no fogo. Amar é pedir pra te atirarem das nuvens. Ou praticar a obsessão de não pensar. Amar é fazer palhaçadas até quebrar o espelho. Ou mergulhar na ponta de uma mágoa. Amar é vingar o desamor. É lamber o corpo das coisas. Amar é enfiar a cara num bolo e os dedos na tomada da insônia. Amar é nascer pra isso: amar sem exigir retorno. Quase. É respirar santidade escorregando num pecado sem perdão. Amar é não saber nada de amar. É se arrepender de definir o amor. É ser vilão querendo ser mocinho. É ser mocinho ante a vilania. Amar é libertar pássaros e sorrir feito bobo encantado. Amar é ser farol, solitário, mas dando direç...

TROPEÇO VÁRIAS VEZES

Não tenho uma tez límpida. Tropeço várias vezes. Entorpecido de ego. E do espelho estouro os tímpanos. Entorpecido de ego. Não tenho que fingir ofertar. O que ainda nem tenho. O que ainda vou mentir? Mas tenho esta alma pura. Com pétalas eróticas? Acredito em nuvens do céu. Quando ninguém está perto. É como lembrar da infância. Mortos a facadas nas valas. Era assim nas ruas perto daqui. Me arrependerei bastante. Quanto falta? O ego pensa ser eterno.   (Não posso mostrar este poema às crianças?)

CORPOSDECORPOS

Em movimentos tridimensionais surgem nossos caracteres na tela dos dentes do Tempo e tudo começa mordido numa sinfonia de envolvimento. Posso dizer: não sei. Ou sei. O Tempo  O Tempo. Os caracteres de nossas vidas nossas mortes pequenas e várias nossos controles remotos nossos fios antenas e mentes em MDF. O Espaço O Espaço sempre mínimo para o afeto para a pele com a pele o baú do dia-a-dia a amada no poste no sol do rosto na lua do corpo com suas sabedorias na mesa do outro corpo com farofa carne e apetites sem trabalho não se ganha a arte apesar de tudo com fome não se faz arte com sede não se faz arte mas a arte apesar sua leveza sobre nós corpos de corpos de outros corpos. Amém.

FINITO DO ODOR

Hoje só andar mole hoje só chutar pedras com o olhar  dilemas a aplacar medos de multidões aplicar cantos que expressem centrais lençóis hoje só somente hoje consigo hoje é meu objetivo remar no placar de pautas de amor a explicar inexplicáveis fontes bocas olhos como barcos emplacar o transitivo no que ressona e fere hoje e é hoje metástase do que nos sobra resta focar o que replica sem metafísica plaqueta do que nos sangra e zera sem meandros aplacar os ais no azul de ausente crânio hoje enfim me quereria calmo sem ventos sem pensares seguindo infinitamente no absoluto palco mínimo do acordar com dentes por escovar e disfarçar o finito do odor

A FLOR DA VOZ

Perde o seu feeling no dia a noite é vento à fronte folhas em luta na alma em rede a vida ao rés na estação um que não parou enfrentou a estrada e a própria crônica viveu como sonhou outra retórica

AGRADEÇO A QUEM

Agradeço a quem este penhasco Que ameaça esta alma sem sabor Causando um pequeníssimo fiasco De medo no corpo sem calor? Agradeço a quem esta molhada Sorte que vomita a meus pés? Àquele ser velho e de nada Que sacode o espelho através? Agradeço a quem esta alma ilhada Em vãs filosofias de cafés, Que entorta deduções destrambelhadas? Agradeço a quem se no viés Deste jogo de cartas inflamadas, A Morte diz: bati, um ás com dez!