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CORPOSDECORPOS

Em movimentos tridimensionais

surgem nossos caracteres

na tela dos dentes do Tempo

e tudo começa mordido

numa sinfonia de envolvimento.

Posso dizer: não sei. Ou sei.


O Tempo 

O Tempo.

Os caracteres de nossas vidas

nossas mortes pequenas e várias

nossos controles remotos

nossos fios

antenas e mentes em MDF.

O Espaço

O Espaço

sempre mínimo para o afeto

para a pele com a pele

o baú do dia-a-dia

a amada no poste

no sol do rosto

na lua do corpo

com suas sabedorias na mesa

do outro corpo

com farofa carne e apetites

sem trabalho não se ganha

a arte apesar de tudo

com fome não se faz arte

com sede não se faz arte

mas a arte apesar

sua leveza sobre nós

corpos de corpos de outros corpos.

Amém.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.