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A CRIANÇA APONTA OU AUSENTES

Sem que o tempo importe, Há poemas-portas: Sonhos-música. As chaves são Recurvadas Memórias. Tudo é volta. Vês nas mãos Da Vida um simulacro de Lâminas bem finas? Frágeis aportes De irreal atrito. A criança aponta Retratos de névoa. E ao que é de ontem Dás riso e sonho Sem fronteiras. Ter às costas Asas em palitos, Passado insone, Varetas quebradiças, Dificulta espaços... Fogos molham, Riscos entortam Piões, gol caixotes, E inocências ausentes.

ESPARRAMADOS

Penetrei surdamente neste reino denso, mas escorreguei em xixis-sintaxe, depois me levantei e vi palavras a dormirem todas na sala, drogadas de romances de contos e crônicas, esparramados pelos cantos, veio se aproximando Signo, o gato que descrio quando crio, o rabo abanando como ideia balouçante

ESTAR NA FÁBULA

Há muito estamos nas fábulas. Elas nos contêm. Me torno o lobo das águas de dentro. E devoro a narração. E me torno o narrador. Da fábula que me envolve. Como uma selva mística. Onde o tempo devora. Mas não a fábula dele. Um bicho estende a mão. O frio a congela.

AMAR É NÃO SABER NADA

Dois pontos, não muitos: Amar te revela. Amar te esconde.  Amar passa perto. Quando não passa longe. Amar é se abaixar pra acariciar uma formiga.  É se levantar pra pentear o sol. Amar é castigar a si mesmo.  Talvez o próximo também.  Amar é atirar a esmo. Talvez mirar e acertar. É andar de bicicleta num fio de água. Voar no fogo. Amar é pedir pra te atirarem das nuvens. Ou praticar a obsessão de não pensar. Amar é fazer palhaçadas até quebrar o espelho. Ou mergulhar na ponta de uma mágoa. Amar é vingar o desamor. É lamber o corpo das coisas. Amar é enfiar a cara num bolo e os dedos na tomada da insônia. Amar é nascer pra isso: amar sem exigir retorno. Quase. É respirar santidade escorregando num pecado sem perdão. Amar é não saber nada de amar. É se arrepender de definir o amor. É ser vilão querendo ser mocinho. É ser mocinho ante a vilania. Amar é libertar pássaros e sorrir feito bobo encantado. Amar é ser farol, solitário, mas dando direç...

TROPEÇO VÁRIAS VEZES

Não tenho uma tez límpida. Tropeço várias vezes. Entorpecido de ego. E do espelho estouro os tímpanos. Entorpecido de ego. Não tenho que fingir ofertar. O que ainda nem tenho. O que ainda vou mentir? Mas tenho esta alma pura. Com pétalas eróticas? Acredito em nuvens do céu. Quando ninguém está perto. É como lembrar da infância. Mortos a facadas nas valas. Era assim nas ruas perto daqui. Me arrependerei bastante. Quanto falta? O ego pensa ser eterno.   (Não posso mostrar este poema às crianças?)

CORPOSDECORPOS

Em movimentos tridimensionais surgem nossos caracteres na tela dos dentes do Tempo e tudo começa mordido numa sinfonia de envolvimento. Posso dizer: não sei. Ou sei. O Tempo  O Tempo. Os caracteres de nossas vidas nossas mortes pequenas e várias nossos controles remotos nossos fios antenas e mentes em MDF. O Espaço O Espaço sempre mínimo para o afeto para a pele com a pele o baú do dia-a-dia a amada no poste no sol do rosto na lua do corpo com suas sabedorias na mesa do outro corpo com farofa carne e apetites sem trabalho não se ganha a arte apesar de tudo com fome não se faz arte com sede não se faz arte mas a arte apesar sua leveza sobre nós corpos de corpos de outros corpos. Amém.