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LENDO CUBA

Cubatão, atenta, E deixa eu ler-te  A sensualidade De moça de cócoras A brincar no óleo dos rios, Engrossando as coxas no dobrar do talhe, Pitos acesos nos cantos dos lábios. Em teu pescoço, leio a artéria verde Intensa de lírios. Acima do peito, leio-te o desejo, Nas tuas costelas beijo Sonhos de bem mais. Perto de teu baço, leio o luxo e o traço Nos largos imemoriais Onde a elite dantes bem se deleitou Filando o café quente com biscoito Pertinho do umbigo, leio Miquelina Que acendeu as luzes de sua morada Onde após seria o velho Anilinas. Leio mais, descendo o sul de teu corpo, E avisto povos fortes dos sertões Vindo para a indústria e se amalgamando À biodiversa cor cuipataense Das rodas dentadas marcando riquezas. Enxergo em teu sexo de delícias Festas de aldeia, blandícias, Com seus braços amplos, em passo gozosos, Índias, portuguesas, nordestinas, outras, Temperando o solo com sua alegria, E nos teus joelhos leio o sempr...

DE MINHA LAVRA

De minha lavra martelo perverso intrigando a fábula. Eu me espero nesta gigante solidão. Com fragilidade nos dentes, devoro frases selvagens cariando de ouro a boca. Como só me encontras nas nuvens da fábula, permito que me vejas, deste galho frágil onde pousas, linda como o canto das palavras chamuscadas e vivas.

POEMA DE MIM

Entre trovões e relâmpagos, fingia estar  numa tragédia de Sófocles, frente à faca das arquibancadas, onde olhos moravam de pupilas raiadas  a mostrar faces inusitadas. Disseram-me que não eram tão assim quanto o meu medo os fazia, e que eram em verdade  belos olhos e que não nutriam pelo palco  grandes ódios. Eram olhos  que há muito tempo  miravam  ene terremotos e  ritos  pândegos de viés. Convencido, como a voz  de uma gralha de vidoeiro, banhei-me na charneca onde,  quebrando-me e rindo, me fizeram cair os olhos e  meu casco-cosmos se quebrou. Tive de colar e explicar  o poema e este ato foi meu supremo pecado. Fui condenado  e suspenso por segundos  da que sempre melecara. Sempre me imaginara  a réplica vitrificada  de um Verso  sem carnes. Quem me vê  assim cantando  não sabe o Poema  de mim. Da máscara, eu sou  coadjuvante e dentr...