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PÉ DE EGO

Montar esse poema infrene que me expele ritmando. Vencendo o medo da "musga", montando em sua corcunda, cair mil vezes do céu, levantar da linha imunda. Montar o verso sem medo de mostrar sua banguela, revelando a cárie vera, sem medo de usar personas montadas na instável fera em gerúndio e dipirona, Montar, cavalgar seu ego que do escandir se assenhora no equilíbrio que o difere. Desmontar seu superego, enchê-lo de ondas canoras, e ocultar seu pé de ego.

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GATO PRETO AMARELO BRANQUELO O gato pretinho De olhos castanhos Só gosta de queijo Comido no banho. O amarelinho De olhos vidrados Só gosta de rato Com rabo malhado. Já o branquelinho De patas cinzentas Adora peixinhos Com sal e pimenta.

TUDO COMO AS UVAS

Tudo passa, uvas passam. Ilusão em poças frias, E o tempo adentrando a casa Bebe a noite, come o dia. O velho rosto no espelho. É quando o duplo nos mente E ilusórios tecidos Enrugam-se bem de frente. Dores de espelho derramas, Se beleza dava alarde, Hoje não mais se proclama, Vem manhã e logo é tarde, Mal se acorda e vem peleja, Escuro o encontro no claro.

RISCOS

Busquei criá-la em bom tamanho. Ano passado, longe a caverna. Sei que personagens são difíceis. Então, olhei. Levei o dedo, teclei. Criei a fonte maior que a moldura. Sem detalhes. Fora do ar Seu vulto com livre paisagem. Eu me disse assim: -Uma frase a não-ser sendo. Isso. Superior beleza na ausência. No hálito com dentifrício de ficção. Nas axilas das letras crespas numeradas. Nas varizes dos confusos períodos curtos. Faço cons/letra/ções em sopas. Pelo código súbito teço orvalhos. Dos olhos em branco papéis faço, Cozidos. E embaralho o pensar pra que não finde O mistério do existir em refundar-se.

AMORFA MÁSCARA

Amorfa máscara à cara, Devendo elos, selando A gula ácida em valas Que o dia vai re(valando). O perfil flácido e perverso Do ser dissimula os versos, Embora o dentro os desdiga Por curtir o desconexo.