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O ORGULHO DA PANÇA E A LUA

O luar domina os lunáticos. Todos pulam, dizem: maravilha! Deixarão a vida bem exangues, No capital o sangue das virilhas. ... Sem os bons, os maus são de doer, Explorando a miséria social, No sovaco da bolsa a bem foder O orgulho da plebe nacional. ... Vai a lua e chega o sol; alvar, O lucro espreme a própria pança, Num barulho de estraçalhar. ... E o poeta, intoxicado, dança - Imagens de amor crepuscular -, Sugando os puns como lembrança.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

DIVISÃO NA POLIS

Dividida na polis a verdade bífida, vejo-a na avenida a evaporar. Um ministro goza um cargo enquanto mastiga pedras para bem falar. Tenho a sorte de curar feridas (as minhas) abertas com palavras-pasta. O presidente casa de novo em cima da urna. A sorte de ter a mínima palavra como reflexo hábil do (ir)real. Um índio chora, em sonho alcança a glória da ONU. O paradoxo da palavra ressignificando meu espaço: carreira doce de formissignos.

DIA DOS ANJOS

Anjos soltos f umam nas vielas O odor imutável d as praças cagadas, Baionetas se aprontam, c ansaço nos colos, Nos bairros centrais  b eirais sanguinários, Pombas alto gritam s em saber as balas Entre peles duras, o  toque insensível Reflete a ausência d e falas doces, É assim que tremem n o túmulo das periferias As dores inconfessas, a ssoam os anjos Nas asas o catarro dos corpos, E enrolam na sarjeta a mores com gasolina.

SOQUEI

Não sonhe com o que virá. Don't jump - me dizia. Não pule - me implorava. Você perderá . Não saia. E o próximo som bloqueie. Não passe da esfera! Capins nas minhas palavras, Ervas daninhas crescendo, Cupins nas mais altas, Mas falo pra essa merda De futuro que bate na porta Enfeitado com pólvora... Não pule - se conforme. Não nasça - todos vão olhar. Você é tão lindo sugando. Fique quieto - gritava. Um fedor nas letras Cansadas de cortar ouvidos, Um sol artificial de diclofenaco Massageando a ponta do fêmur Da frase Então, decidi: soquei  Soquei o osso que gritava No centro cerebral, Desfigurei a linguagem E pulei minha música Para ouvir a outra Que nem nasceu ainda....

NOSSO SIGNO

Metralhamos  a carne das palavras  e  ela espirra rubros geiseres,  as balas quase nos órgãos vitais da alma.  Vai escorrendo devagar, Nem as almas dos vermes ligam.  Os urubus ajeitam os fraques.

CÉREBROS QUEIMADOS

E agora? Como podem trabalhar, Mãos infames pelo hábito de delatar O outro de mesma pele? Há febre e inaptidão para limpos gestos. Se apenas se roçassem c omo patas de moscas? Mas delatam o outro. No ventre do mundo, mãos Que sejam sem interesse são raras. O pontiagudo da expressão "me basto" Fura o ego do cego édipo. Os jornais mostram estatísticas Onde mãos são cegadas, e juízes Atuam com a ambição De pretores romanos antigos.  Pelos pingos do Sistema Os cérebros são queimados.