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AFOGADOS EM BELO TREMOR

Com o ser um pouco sonho.
A morte deveria ser assim.
Um belo tremor sem muito.
Um belo robô com dúvidas d'ont.
Com beleza azul-prateada-ôntica.
Antes de atingir estilo (morte).

E diga o verde-louro deste ser
pelo que não explica o relógio
onde seis corpos metralhados por motoqueiros
jaziam deitados na via principal
colhendo lágrimas das mães
que todo dia botavam ração pros peixes dos aquários
dizendo pronto, bebês, comam
esta ração nova que comprei.

Nem perfumado passo atreve
Seu presente ser em beijos
De toque cálido.

Há jornais sobre o sangue no asfalto
absorvendo amor desamor colados
no pó deixado por automóveis e passantes
aderindo desumanidades rascantes
fezes de cachorros secando há dias
rolando do canto das calçadas.

Há jornais onde seis corpos flechados por índios
montados em cavalos de ferro e ronco
são afogados em sal de glândulas lacrimais
esses seis corpos aguardando ambulâncias
que sempre chegam com braços cansados
que sempre vomitam corpos pra dentro.

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