Pular para o conteúdo principal

OBSERVAÇÃO

Aqui de cima do telhado do Paço Municipal de Cubatão, uma cidade onde assombrações químicas sem cabeça se davam as mãos, observo-os. 

Mas eles não me vêem, os anjos ridículos.

Fazem piruetas e se enroscam nos postes.

Gostam de farejar as almas ridículas.

E roubar-lhes fios imperceptíveis de cabelo.

Nunca notaram que os observo.

Mas não só eu os observo.

Helicópteros silenciosos sobrevoam suas cabeças.

Guiam-se por ondas ultrassônicas.

Mas nunca os pegam.

Os anjos gostam dos palcos luxuosos, das festas nababescas, onde possam refestelar-se no ridículo.

São os fios das almas ridículas que os salvam de si mesmos.

Os anjos ridículos se multiplicam.

São 70 % (setenta por cento) dos anjos.

Passaram a ser minhas manias visuais.

Há um código que eles seguem.

Não atino com os incisos, artigos, capítulos.

Só sei que há um código baseado no primeiro que fiz.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.