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ENTRE OS DENTES DO URBANO

Repensar sobre o começo leva tempo mas
Facilita o andar entre roupas velhas.
O anjo cagado falando entre os dentes
Solta cinza e cheiro de asas queimadas.
Há garrafas quebradas, pelo molhado.
Deus(a) escorrega e perde o braço direito
Esmagado por uma máquina. Cresce
Outro braço afinal ele(a) é Deus(a),
Muitos a pensar de andar torto
O(a) adoram querendo céus.

Ninguém entende sua solidão.
Trôpegos albatrozes no óleo urbano.
Cobertores com pulgas e carrapatos.
Raciocinar tocando nos oceanos simultâneos,
Até que os tempos terminem em execução.
A cabeça com uma mordida de pitbull.
Andar birolho sobre os ponteiros
Em potência e fúria e poeira.
Ler o jornal. E se muita coisa atingir de soslaio
Fazer um jardim. Há argamassa para as muretas.

E aqueles miolos fazem um bom adubo.

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Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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