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ENXERGAR

Lua insiste em crateras em cruz.
Mesmo depois que usei seus cabelos
para recheio dos uivos sagrados.

E sua carne e seu sangue
para a oferta ao Nada.
Mesmo depois que lhe falei da opressão
que teimo em fazer testando as armas.
Mesmo depois que queimei
meus satélites cristãos.
Que lhe disse das mulheres oprimidas
por igrejas cujos homens são elos
entre homens e o Homem/
Pai/
Buda/
Krishna.
Mesmo depois que falei da minha tribo de bigodes.
Mesmo depois que lhe mostrei tudo que criei
em volta da queimada de mulheres.
Mesmo depois que mostrei-lhe
a marca de seus olhos nas minhas costelas.
Mesmo depois.
E que parti-lhe os ossos.
E que usei sua pele para os abajures.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.