Pular para o conteúdo principal

VOU-ME EMBORA EM PÁSSO ÁRDEGO

Quem sabe aponte
ou pinte em Pequim

um peixe em tortura,

foto de Pasquim.

Quem sabe em Pequim
os dragões me levem

e tigresas chin
me estraçalhem breve.

Quem sabe em Pequim
deite fogo ou não

num pagode em brim,
teto de fogão.

Não ouvi o mando
do infiel mandarim,


pois me doem, gritam
seis pedras no rim.

A Kuan que desejo
não escolhe cama,

nela darei beijos
com sol sobre a lama.

Seus olhos rasgados
como duas flamas,

ao som do flautim,
me tatearão.

Andarei de burro brabo,
sentadinho na garupa,

com tetas no selim
fazendo upa-upa.

E mil musas nuas
sob azuis jardins

comerão a sós
versos-serafins.

Me aguarde, então,
Passo árdego/Pequim!

Em ti gastarei
A vida aos pouquim!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.