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DIANTE DAS CÂMERAS

Jasão tava no bar

com seu violão Asa Grande.

Passa a Fernanda Rosa,

filha de um grandão

do contrabando.

Tinha um bundão

de paralisar prosas

de alemão.

Em casa, Medéia

dava um plus nas mãos


depois de limpar

a bunda do filho do meio.

Jasão tava no bar

com seu papo vesgo.

Passou a Firmina,

filha de um patrão

do morro fronteiro.

Tinha uma cintura

e seios pequenos,


maneiros,

de biqueiras puras,


plenas.

Em casa, Medéia

chapinhava o pelo


com o fio do pescoço

remendado.

Jasão tava no bar

com seu pinho pronto.

Passou Epifânia,

filha de João


um bicheiro

que a estava esperando.

Jasa passa a mão

e João marca o cenho


faz o sinal da cruz

e um capanga

apronta o cano.

Como era um filme,


interromperam as gravações

e foi todo mundo

comer macarrão.

No set, Medéia

desmonta a persona


e vira Andréia Freitas,

atriz da rede,

ajeitando o silicone

em tempo record.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.