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EM SUARÃO O VELHO CÃO III



Como o velho cão tá exibido agora!
Pra todos late: - Olha a minha pedra!
Que lindau! Que redondau! Que branquinhau!
(Dizem que os cães negros também
preferem as branquelinhas).
Pituxa late também,
mas com certo ciúme de Max. 
Max é agora um cão Sísifo.
Cão de Marta e Zé Roberto, condenado
a rolar a pedra enquanto viver.
Porém, não vê como castigo. 
Aceita o destino por sina dos olhos azuis.
E sua ternura é um luar sob pelos negros.
Por vezes, cansa, pois, é um cão ancião,
um sábio cão ancião, com doze anos ou mais, 
dizem seus carrapatos ancestrais.
E quando cansa gira,
como uma máquina pesada,
e senta bem devagar, 
pois seus ossos doem
como amor de mar azul.
Pituxa o segue,
tremendo todas as patas....

Comentários

A pedra realmente existe e o velho cão, com catarata nos olhos a caminho, gosta de brincar com a pedra, arrastando-a de um canto a outro...

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.