Pular para o conteúdo principal

O POEMA DIFÍCIL

O poema não sai.
Não quer sair.
Tá deprimido.
Não quer conversa.
O poeta insiste.
O poema é sádico.
Pisa, morde, empurra.

Justo agora isso.
Dando de difícil.
Se não fosse outrem
Com seu deixa disso,
Dava-lhe um tabefe
Com ponta de lápis
E um risco inglês.

O poema não sai.
Tá se achando inútil.
Por que então sair?
É melhor ficar
Em seu canto fútil.
Mas insisto: sai,
Seu poema fátuo!

Aceitar o fato.
O poema não sai.
Os amigos fiquem
No entanto certos
De que sairá.
Só agora ele
Não quer se mostrar.
Aceitar.

Comentários

Dilmar Gomes disse…
Amigo Natan, o bom da poesia é que mesmo quando o poema quer se esconder, o poeta criativo - caso Natan - o arranca do esconderijo.
Um abraço. Tenhas uma boa tarde.

Postagens mais visitadas deste blog

É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.